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29/04/2009 às 10:00 - Estudantes Guarani, Kaiua e Terena projetam futuro no atletismo por meio do Segundo Tempo  

A Escola Municipal Agustinho, na Aldeia Bororo, é referência do esporte de inclusão e de reafirmação da identidade cultural dos povos. Ali funciona um núcleo de Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, onde são atendidas 200 crianças das etnias Guarani, Kaiua e Terena. Iniciativas como a realização de um Festival de Atletismo, tomadas pelo coordenador de núcleo, Anderson de Oliveira Mamede, para comemorar o Dia do Índio, tem grande significado para os jovens: a esperança de tornar-se um atleta olímpico como Claudinei Quirino.

A Aldeia Bororo está dentro das terras da Reserva Indígena do Jaguapirú. A tribo fica às margens da Rodovia Dourados/Itanhum, distante 5 quilômetros da cidade de Dourados (MS). O que a primeira vista parece ser uma atividade rotineira dos indígenas, como correr descalço em seu habitat natural, para estudantes como Adriélison Kaiua, 12 anos, o Festival de Atletismo do Programa Segundo Tempo proporcionou uma oportunidade nunca antes vivida. Para ele, foi um motivo de reflexão sobre seu futuro profissional.

Assim que conquistou o terceiro lugar na competição, Adriélison Kaiua dirigiu-se ao professor Anderson e o questionou. “Assisti recentemente na televisão uma reportagem sobre a trajetória de Claudinei Quirino. Ele é um rapaz de origem humilde e mesmo com tantas dificuldades conseguiu ser um atleta de sucesso. Será que um índio como eu terei a mesma chance que ele?”

O educador, que por sua vez, é filho de pai Terena, foi enfático. “Nada neste mundo é impossível quando se estuda e se tem determinação”, respondeu, ao relatar ao aluno sua própria história de vida. “Minha mãe não é Terena e não índia, nascida no Paraná. Eles moram aqui perto. Eu estudei aqui e aos 18 anos fui para a Amambaí, cidade fronteira com o Paraguai, onde efetivei serviço militar no Exercito, no 17º Regimento de Cavalaria Mecanizada (RCMEC). Alí me engajei por sete anos”, conta.

Anderson explica ainda que não teve medo de alçar outros vôos. Em 2002, cursou faculdade de Educação Física em Dourados e depois concluiu pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior. “Atualmente sou funcionário da Secretaria Municipal de Educação e trabalho, com muita honra, no Programa Segundo Tempo, levando o que os não brancos têm de melhor para meu povo: o estudo e a cidadania”, orgulha-se o educador.

Inclusão que resgata tradições
Os jovens indígenas contemplados pelo Segundo Tempo praticam, além do atletismo, o futebol, o futsal e o vôlei, e ainda contam com reforço pedagógico e lanche. É justamente no período oposto ao que estudam no ensino regular, durante as segundas, quartas e sextas-feiras que eles têm a chance de manter sua tradição.

Como atividades extracurriculares, os estudantes têm aulas de dança tradicionais. A primeira é a Dança do Bate Pau, denominada pelos Terena como uma dança de preparo para a guerra. A outra é a Dança Guaxirê , de origem Kaiua, tida como ritual de enaltecimento a todo o sustento à eles dado pela mãe terra e, também, de agradecimento à boa colheita.

O Programa Segundo Tempo na Aldeia Bororo é uma das oito unidades mantidas pela parceria entre o Ministério do Esporte e a Prefeitura Municipal de Dourados. O convênio atende a um total de 1.600 estudantes do ensino médio e fundamental. “São oito núcleos de atendimento. Dois funcionam em espaços públicos localizados no Centro Popular de Cultura e Lazer e no Parque Ambiental Antenor Martins. As seis unidades restantes estão instaladas nas escolas municipais: Arthur Campos Melo, Laudemira Coutinho de Melo, Prefeito Álvaro Brandão, Sócrates Câmara, Maria da Conceição Angélica, além da Escola Municipal Indígena Agustinho”, explica Tânia Rezende, corrdenadora-geral da parceria em Dourados.

Carla Belizária
Ascom – Ministério do Esporte



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