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07/05/2008 às 15:00 - Segundo Tempo embala sonho de crianças na periferia de Belford Roxo  

A infância limitada às vezes pela pobreza extrema, a fraca aprendizagem escolar com o risco da convivência com a violência urbana e doméstica – assassinatos, drogas e alcoolismo - que muitas vezes refletia-se num comportamento agressivo e rebelde, não transformaram 350 estudantes em perigo para a sociedade. Ao contrário do que se imagina eles estão no caminho do bem. Graças ao Programa Segundo Tempo os jovens da cidade fluminense de Belford Roxo estão protagonizando outro processo: o de crescimento e de superação, onde emplacam numa vida melhor.

É um mundo novo, um encontro com uma nova realidade nunca antes vivenciada pelas crianças carentes. Nas três unidades da parceria com a Conferência das Inspetorias das Filhas de Maria Auxiliadora do Brasil, os alunos contemplados têm de ocupação com segurança, disciplina, atividades esportivas, oficinas de artesanato, brincadeiras e reforço escolar e alimentar. A parceria local com a Inspetoria Nossa Senhora da Penha garante o funcionamento do programa na unidade Crescendo Juntos, na Vila Pauline, na Casa da Paz, no bairro Monte Horebi e no Recriando a Vida, na comunidade Nossa Senhora Aparecida.

Religiosa da congregação católica, a irmã Madalena Luiza Scaramussa é coordenadora do programa. Ela conta que essa evolução pode ser atestada nas simples ações do dia-a-dia. De acordo com a freira, o antigo e popular tom ameaçador do “te pego na rua”, independente da derrota ou vitória no jogo de futebol não está mais presente no vocabulário das crianças. A expressão perdeu espaço para o abraço fraterno, seguido do convite “vamos tomar água juntos?”

Criado pelos avós e tios, LFC, 10, é um exemplo dessa transformação. O garoto nunca conviveu com os pais biológicos. Quando ingressou no núcleo do Segundo Tempo há 2 anos ele que estava muito arredio, agressivo e desequilibrado emocionalmente se superou nas traquinagens. Ele agrediu fisicamente os colegas, mordeu a educadora responsável e derrubou todos os livros dos armários da biblioteca. Agora o menino vive outra realidade: além de liderança entre os estudantes é uma referência positiva de amizade entre a garotada.

Voar e ser piloto de avião
Aos 13 anos de idade JC tem seu destino traçado na ponta do lápis: vai concluir o ensino regular e seguir carreira de aviador. Ele, que teve a oportunidade de visitar um avião por dentro, graças a um sorteio promovido pelo Segundo Tempo, ao adentrar a cabine, perguntou ao comandante se era difícil pilotar. “Como conduzir uma aeronave gigante daquelas com tanto botão pra apertar?”, questionou o garoto A resposta negativa do piloto foi a sinalização que o menino tanto esperava. “É fácil pilotar. Vou atravessar as nuvens e ajudar minha família”, revela determinado.

Meninas levadas viram monitoras
Como qualquer criança esperta elas também aprontaram. Mas agora a história é outra. Depois de serem atendidas no Segundo Tempo, ex-alunas estão retribuindo tudo de bom que receberam. Andressa Carla, Aloá Euzébio, Aline da Silva, Rayane Lima e Irlânia Carla são agora monitoras voluntárias do Segundo Tempo. “Recebo uma ajuda de custo de R$ 100,00 para a passagem de ônibus. Só que não há dinheiro no mundo que pague a oportunidade que tivemos de ser tratadas como gente, de verdade”, revela Aline, ao ressaltar que pretende cursar Faculdade de Educação Física.

Benefícios com profissionalização
Além da refeição complementar diária (almoço e jantar) os adolescentes do Segundo Tempo
contam com apoio pedagógico nas disciplinas que têm mais dificuldades. Eles praticam vôlei, handebol, basquete, tênis de mesa e contam também com aulas de ballet e capoeira.

Aos jovens com é assegurada, ainda, a iniciação profissional com a oferta de curso técnicos. A idéia é que ao saírem do programa eles consigam ingressar no mercado de trabalho com muito mais facilidade graças aos cursos de desenho e informática. Quando o assunto é recreação, o Segundo Tempo assegura aos estudantes de Belford Roxo gincanas e brincadeiras como pula-corda, jogos de mesa e totó. Eles também participam de atividades extracurriculares como artesanato, reciclagem de sucatas, bordado, tapeçaria, crochê e musicalização com a Banda Mãos na Lata.


Carla Belizária
Ascom – Ministério do Esporte


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