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06/02/2006 às 14:21 - Segundo Tempo no combate à fome em Filadélfia (BA)  

No Programa Segundo Tempo em Filadélfia (BA), a hora do lanche é sagrada. Os 256 estudantes carentes atendidos só faltam às atividades quando estão doentes. Crianças e adolescentes filhos de trabalhadores rurais recebem prática esportiva, acompanhamento escolar e reforço alimentar em duas unidades instaladas na Associação Beneficente e de Apoio à Agricultura. As unidades ficam nas áreas urbana e rural dos distritos de Riacho de Pedrinhas, Cabeça da Vaca, Vermelho e Várzea Grande do Anacleto.

São poucas as opções de lazer na cidade. Os 18 mil moradores de Filadélfia encontram diversão nos jogos aos domingos no estádio de Futebol Alice Lopes, nos banhos divertidos no Rio Itapecurú e nas gargalhadas dadas durante as visitas de companhias circenses à cidade. O Segundo Tempo funciona como uma ferramenta de esporte, diversão, educação, desenvolvimento humano e de combate à fome.

Do total de crianças atendidas no Segundo Tempo em Filadélfia, 85% foram atraídas pela alimentação e o restante pela prática esportiva. Os dados refletem a realidade da região, tida como referência no plantio do feijão. Na época da seca, a cidade enfrenta a fome, que já está sendo combatida por programas sociais do governo federal.

Famílias que viviam exclusivamente da agricultura de subsistência também encontraram no Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, a oportunidade de assegurar aos filhos uma infância mais saudável. Crianças e adolescentes foram afastados do trabalho infantil na roça e nas ruas onde catavam papelões.

A família de Ronaldo Pereira, 7 anos, passou por muitas privações. Faltava comida em casa e os pais não tinham mais a quem recorrer. A situação levou Ronaldo e os irmãos Raimundo, 17, Júnior, 11, e Daniel, 10, a pedir esmolas. Ao se depararem com a cena, os monitores João França Barbosa e Otojonnes Barbosa Pereira, além de convidar os quatro estudantes para freqüentar o programa, também ajudaram os pais - Francisco Antônio e Maria Olívia - que em breve passarão a ter uma oportunidade de renda.

"Primeiro, fizemos uma vaquinha com a ajuda local de empresários locais, que abraçaram a causa. Depois compramos mantimentos para abastecer a casa por dois meses", revela João França, contando que a surpresa durante a entrega fez com que todos chorassem, muito emocionados. Em seguida, os monitores filiaram o casal na Associação Beneficente e Apoio à Agricultura, critério necessário para se conseguir um empréstimo no valor de R$ 1 mil no Programa de Agricultura Familiar (Pronaf).

Após a liberação, o dinheiro foi investido na compra de um rebanho, entre eles, uma novilha enxertada (vaca com bezerro já na barriga). Agora, a família do Segundo Tempo tem esperança de uma vida melhor. "Falta um mês para a vaca dar cria. As crianças que freqüentam o Segundo Tempo não vêem a hora de tomar leite e a gente está contando os dias para começar a produzir queijo e coalhada para comercializar na cidade", revelam Francisco e Olívia, emocionados.

Biscoitos vitaminados - A hora do lanche é sempre uma festa. Entre os itens da alimentação servida às crianças de Filadélfia estão os biscoitos produzidos pela Fundação de Apoio ao Menor de Feira de Santana (Famfs), parceira gestora do programa. Os biscoitos do Programa Segundo Tempo vem em três versões: doce, salgado e sabor de coco.

"Em breve estaremos substituindo a farinha de trigo (produto importado) pela fécula de mandioca. Vamos produzir um biscoito vitaminado do Segundo Tempo genuinamente brasileiro, além de gerar emprego e renda para a população", anunciou Antônio Lopes, coordenador geral do Segundo Tempo/FAMFS.

Ministérios no combate à fome - De acordo com o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, o leite é um alimento natural que contém basicamente todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento humano. "O leite é rico em cálcio, fósforo, ferro, proteínas e vitaminas A, B1, B2 e C", destacou Agnelo, que também é médico. Ele ressaltou ainda que com os programas do governo federal, as crianças de Filadélfia não estão mais desamparadas.

"Os alunos recebem, do Ministério da Educação, a merenda escolar no primeiro turno. No segundo, eles têm o reforço alimentar do Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Nos próximos dias, eles vão tomar leite antes de saírem de casa, com a ajuda do Pronaf, do Ministério do Desenvolvimento e Reforma Agrária", enumera Agnelo Queiroz.

O ministro do Desenvolvimento e Reforma Agrário, Miguel Rossetto, explica que o Pronaf assegura aos agricultores familiares linhas de financiamentos subsidiadas pelo governo federal. Trata-se de empréstimos com taxas de juros muito baixas que vão de 1% a 4% e um prazo de 12 meses a 8 anos onde o trabalhador rural poderá investir em sua propriedade e no custeio de sua lavoura.

"O financiamento do Pronaf fica muito barato para o homem do campo. Desta forma o governo federal estimula a produção de alimentos no Brasil", garantiu Rossetto, ao destacar que no ano agrícola de 2006 o MDA investirá cerca de R$ 9 bilhões de reais para atender cerca de dois milhões de famílias.

Parceria de sucesso - De acordo com Antônio Lopes, coordenador-geral da FAMFS, o empenho dos monitores do Segundo Tempo em buscar ajuda e a solidariedade de comerciantes e moradores locais fazem com que Filadélfia seja um exemplo de operacionalização do Segundo Tempo. "A partir de fevereiro, a cidade será presenteada com a ampliação do programa para mais 128 crianças e passará a ter quase 400 atendimentos", anunciou Lopes.

Em todo o Brasil, o Programa Segundo Tempo contempla um milhão de estudantes carentes em área de risco social. Eles são atendidos em 2,8 mil núcleos em mais de 800 municípios por meio de 100 parcerias. O programa também gera emprego e renda para cerca de 10 mil profissionais: professores de Educação Física e Pedagogia (coordenadores de núcleo) e estudantes universitários (monitores).


Carla Belizária


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