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17/12/2005 às 16:00 - Idosos são alfabetizados pelo Programa Segundo Tempo  

Prontos para ler e escrever, cerca de 25 idosos entre pais, avós e bisavós de crianças carentes beneficiadas pelo Programa Segundo Tempo receberam hoje (17/12) o Certificado do Curso de Alfabetização. Os alunos formandos com idades entre 65 e 90 anos colaram grau no Centro de Ensino Fundamental 427 de Samambaia, cidade satélite do Distrito Federal, e tiveram como paraninfo o ministro do Esporte Agnelo Queiroz, que fez a entrega dos diplomas.

Natural de Serra Talhada, em Pernambuco, a aluna Rosa Maria de Jesus Neto, 80 anos, não conteve a emoção. Bisavó de Bruna, 6 anos, e Letícia, 7 anos, ambas contempladas pelo Programa Segundo Tempo, Dona Rosa não sabia se chorava ou sorria de tanta alegria. “Os coordenadores e monitores de minhas bisnetas me cobravam para eu estudar todas as vezes que eu visitava o núcleo. Eles estavam certos”, contou a aposentada que há 13 anos mora em Samambaia.

“Aprendi com o Ministério do Esporte que nunca é tarde para se aprender. Esse é o caminho correto”, assegurou radiante Dona Rosa. Durante toda infância e juventude, ela lamenta não ter frequentado uma sala de aula. “Meus pais achavam que a gente ia para escola arrumar namorado. De nada adiantou. Namorei, casei, fiquei viúva e estou casada novamente e, agora, graças ao Segundo Tempo, realizai o maior sonho de minha vida”, revelou.

O aluno Expedito Joaquim, 64 anos, contou que no sertão da Paraíba, no povoado de Itaporanga, onde morou e trabalhou durante muitos anos na lavoura, escola era uma palavra proibida. "Quando a gente falava em estudar meu pai brigava com a gente e mandava ir para a roça ajudar no trabalho”. Seu Joaquim mudou-se para Brasília onde trabalhou como vigilante. Para complementar a aposentadoria, ele tentou novas fontes de renda e abriu uma pequena empresa. Ele lembra da dificuldade com a documentação para abrir o novo negócio porque não sabia ler, nem escrever. “Naquela época o gerente exigiu cinco testemunhas. Hoje, como sei ler e escrever, foi tudo mais fácil. Eu acompanhei todas as etapas de perto”, ougulhou-se.

Para a estudante Margarida Góes, 64 anos, os benefícios da alfabetização influenciaram positivamente em seu dia-a-dia. “Desde criança sempre fui muito tímida e ter que pedir informação às pessoas na parada do coletivo toda vez que fosse pegar um ônibus era uma humilhação. Sabendo ler e escrever perdi até a vergonha e me sinto uma cidadã brasileira de verdade”, afirmou a doméstica aposentada.

A maior mágoa da vida de Lindalva Marques, 69 anos, foi superada. Órfã de mãe aos cinco anos, ela viveu a maior parte da vida ajudando no sustento da vida trabalhando em uma lavoura em Campo Redondo, no Rio Grande do Norte. “A ignorância de minha madrastra impediu que eu estudasse. Mas nunca é tarde para começar”, assegurou a aluna determinada em continuar os estudos.

Durante a solenidade, 75 atletas mirins do programa Segundo Tempo trocaram faixa no judô. O batizado contou com a participação de vários faixas pretas da Federação de Judô (Femejú) que lutaram no tatami com os pequeninos. “O esporte é a melhor forma de resgate social que o governo federal pode dar a um cidadão”, assegurou o mestre Herbert, da Federação.

Durante o evento, houve ainda exposição de produtos artesanais confeccionados (roupas customizadas, bijuterias, caixas de decoração e enfeites de paredes, brinquedos) pela comunidade e pelos pais dos jovens beneficiados. Esse trabalho é fruto do curso profissionalizante também oferecido pelo núcleo Cirlene Ferreira aos pais de alunos do programa. Os avanços foram tantos que agora a comunidade exporta alguns produtos para Angola, na África.


Carla Belizária


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