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07/10/2005 às 10:18 - Oficina de Comunicação pauta agenda das crianças do Programa Segundo Tempo  

Foquinha por um dia. Esse é o nome da oficina de Comunicação da qual participaram na tarde de ontem (06/10) no foyer do Ministério da Cultura em Brasília cerca de 100 estudantes carentes do Programa Segundo Tempo do Distrito Federal. Os aprendizes descobriram que se expressar vai além de simplesmente falar e que assim como praticar esporte, o amor e solidariedade podem ser expressados por meio de palavras.

A oficina de Comunicação é uma parceria entre os Ministérios do Esporte e da Cultura e o Grupo Multiétnico de Empreendedores Sociais, que realiza trabalhos dirigidos ao público infantil e adulto para combater o racismo e promover a elevação da auto-estima infanto-juvenil. Ministrada pelo jornalista da Fundação Zumbi dos Palmares e integrante do Grupo Multiétnico Oscar Marques Cardoso, a aula foi iniciada com uma breve explicação sobre o que significa a foca no meio jornalístico. “Aquele bichinho que brinca com a bola no fucinho, que pula e nada na água e que se arrasta no chão porque não tem pernas é a foca. Por essa alegria e pela vontade de não ficar parado, o estudante de jornalismo ganhou o apelido de foca”, explicou Oscar.

Muito atentas, crianças como Priscila Teodoro, 12 anos, mostraram que aprenderam o simbolismo da foca na vida dos estagiários da área de comunicação. “É que eles precisam fazer malabarismos para obter e passar a verdadeira informação aos leitores dos jornais, aos ouvintes do rádio e aos telespectadores da televisão”, justificou a estudante, completando Oscar. Priscila é uma das beneficiadas pelo Segundo Tempo em parceria com a Associação dos Servidores do Tribunal de Contas da União (ASTCU).

As crianças e adolescentes aprenderam na prática o poder que uma informação mal transmitida pode causar. Duas turmas, divididas por faixa etária, brincaram de microfone sem fio. No grupo dos mais velhos, a frase “há um cartaz branco e vermelho na parede” chegou totalmente modificada ao ouvido do último da fila: “um cara buzinou a buzina”. Já no grupo dos mais novos, a frase “a vida é bela” chegou ao final da linha como “o apito”.

Os alunos também aprenderam que uma imagem vale por mil palavras. “Nunca imaginei que passar uma informação, uma mensagem, fosse tão simples assim”, admirou-se Guilherme Adriano, 14 anos, morador da Expansão do Setor O de Ceilândia. Guilherme contou seu orgulho em participar do Segundo Tempo. “Adoro jogar uma bola, o reforço escolar e a alimentação que recebo no programa me ajudam muito. O que eu mais gosto mesmo são os montes de oportunidade que tenho de conhecer coisas que nunca tive na vida, como essa oficina de comunicação”, disse o jovem, tido como o mais brincalhão da turma.

Ao final, munidos de cadernos e canetas, os jovens cumpriram a última tarefa: escrever no papel qual o recado eles dariam a alguém que eles gostam muito. O resultado veio nas mais variadas formas de comunicação: poesia, poemas, desenhos, frases, rabiscos e acrostes, uma palavra que a cada letra se cria outra palavra ou frase.

Projeto Bonecos Negros - “Uma auto-estima fragmentada leva a criança ao insucesso no futuro”, revelou a educadora Franquilina Maria, também integrante do Grupo Multiétnico. A educadora coordena uma exposição de 90 bonecos que pôde ser prestigiada pelas crianças do Segundo Tempo. Os bonecos são utilizados como ferramentas de promoção da auto-estima de crianças negras, que podem se espelhar nos brinquedos, que simbolizam a beleza e as origens de uma raça. “A cor da pele, as tranças, o jeito de se vestir, e principalmente, o sorriso no rosto dos bonecos passam uma excelente mensagem de afeto”, revelou a educadora.

Para Márcia Alves França, 45 anos, monitora do Segundo Tempo, tanto a oficina de comunicação quanto a exposição são excelentes alternativas para promover a igualdade racial entre os povos. “Sou brasileira, mas meus ancestrais são africanos. Vejo que a cada dia o governo brasileiro implementa ações que incentivam a cada dia o respeito e a valorização o negro do Brasil”, elogiou.

As atividades realizadas pelo Programa Segundo Tempo em parceria com o Ministério da Cultura fazem parte da programação da Semana da Criança, do Ministério do Esporte. Durante duas semanas, serão oferecidas aos contemplados do programa atividades extracurriculares de recreação, lazer, cultura e educação, sempre às 9h e às 15h.


Carla Belizária


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