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08/05/2005 às 10:23 - Esforço e determinação no Segundo Tempo em Valparaízo (GO)  

O dia das mães deste ano tem um sabor de vitória na sacrificada vida da piauiense Adriana Vilar da Soledade, 32 anos. Adriana passou por inúmeras privações, inclusive a fome, em Teresina (PI) com o marido Marcos da Silva e o filho recém-nascido, Paulo Henrique, hoje com 11 anos. A criança portadora de microcefalia - cérebro subdesenvolvido - teve o leite da mamadeira substituído pelo suco de caju, fruta que Adriana pegava em terrenos baldios. Mãe de três filhos e morando em Valparaízo (GO), ela encontrou no Programa Segundo Tempo sua realização pessoal: conseguiu emprego como monitora e cursa Faculdade de Letras.

Há sete anos, Adriane Vilar arriscou tudo para conseguir emprego. Com trabalhos temporários, lavando roupa para fora, ganhava R$ 10,00 por semana. A atividade não era suficiente para as despesas de casa na periferia da capital piauiense. “Perdi a conta das vezes que cortaram a água e a luz de minha casa - um quarto e sala e cozinha conhecido como “pombal” - no conjunto habitacional Jeovani Prado”, lembra.

O choro do filho com fome e o medo de que ele ficasse doente levaram Adriana a deixá-lo com o marido no Piauí e a vir trabalhar como doméstica, em um bairro nobre de Brasília. “Assim que recebi o primeiro pagamento mandei buscar o Marcos e o meu filho. Aluguei um barraco em Santa Maria (DF), onde moramos por um ano. A comemoração do reencontro da família resultou na gravidez de Pedro, o segundo filho”, brinca.

Com o trabalho, Adriana só voltava para casa aos domingos, de quinze em quinze dias. Aos oito meses de gestação, foi demitida do emprego. Marcos Silva na época preencheu uma ficha de cadastro para trabalhar em uma nova empresa de segurança no mercado, que estava selecionando novos funcionários. Marcos deu sorte. No mesmo dia em que preencheu a ficha de inscrição foi convocado para trabalhar a noite, no Setor Comercial Sul, ganhando um salário mínimo.

“Decidimos mudar de endereço porque seria impossível pagar um aluguel de R$ 120,00 e as despesas de alimentação com o salário que Marcos recebia na época”, revela Adriana. A família se mudou para o bairro Santa Rita, em Valparaízo (GO), no entorno do DF. Em dezembro de 2003, Adriana e a família contaram com o apoio de um vizinho, que cedeu um imóvel para moradia até a família se reestruturar.

Nessa época, Adriana conheceu o Segundo Tempo, programa de inclusão social do Ministério do Esporte, e conseguiu inscrever os filhos Henrique e Pedro. Ela ficou fascinada com o programa. “Esporte, alimentação e reforço escolar é tudo o que estava faltando para meus filhos”. Adriana pediu para trabalhar como voluntária do programa para evitar uma longa caminhada de quatro horas para buscar e deixar os filhos no núcleo de atendimento.

O esforço de Adriana para manter os filhos no programa e a determinação em ajudar os contemplados no reforço escolar foram determinantes para que conseguisse uma vaga, em janeiro de 2004, como monitora do programa. “A gente não quer que você trabalhe de graça. Por isso, será contratada como nossa monitora, recebendo uma bolsa de R$ 260,00 mensais, pagos pelo Ministério do Esporte aos estagiários do programa”, disse Zilmar Moreira, coordenador do programa em Valparaíso (GO).

Trabalhando no Segundo Tempo e com o marido empregado, a renda familiar na casa de Adriana passou para dois salários mínimos. Todos os débitos foram quitados e a casa está mobiliada. Adriana tem a tranqüilidade de trabalhar no que gosta e de acompanhar os filhos Pedro, 8 anos, Ana Caroline, 4 anos, e Paulo Henrique, 11 anos, que é portador de deficiência. Com a mesma determinação da mãe, Paulo faz atividades físicas e se dedica na capoeira. “Desde que viemos para o Segundo Tempo, Paulo evoluiu bastante. É obediente, calmo e não é discriminado pelos coleginhas”, conta a monitora.

Graças ao Segundo Tempo, Adriana alçou vôo. Em julho do ano passado, prestou vestibular para Letras, no Centro de Ensino Superior (CESB), em Valparaízo, e foi aprovada. “Não me matriculei no curso porque a mensalidade de R$ 350,00 pesaria demais no orçamento”, disse. Os coordenadores Zilmar Moreira e Jovem Tibério contaram com a ajuda do presidente do CESB, Sérgio Bilotta, que, sensibilizado, sugeriu a Adriana uma nova tentativa no vestibular. Adriana foi novamente aprovada. A instituição de ensino, parceira do programa Segundo Tempo (indicando universitários para trabalhar nos núcleos), doou uma bolsa de estudos com desconto de 90% na mensalidade.

Os R$ 35,00 que a aluna caloura de Letras paga de mensalidade são doados pelo CESB a uma instituição carente. “Hoje me sinto outra pessoa. Tive uma chance e a agarrei sem pestanejar. O Segundo Tempo mudou minha vida”, garante Adriana. A estudante também participa do curso de extensão em Esporte Escolar, do Ministério do Esporte, uma parceria com a Universidade de Brasília (UnB), disponível para professores e universitários do programa. “Uma Especialização ou uma Extensão custam cerca de R$ 30 mil no mercado, um dinheiro que eu não teria como pagar. Se hoje estou num patamar de vida onde muitos sonham estar, o mérito é todo do Segundo Tempo”, assegura.

Carla Belizária
Ascom-Ministério do Esporte


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