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07/04/2005 às 18:20 - Crianças do Segundo Tempo relembram visita ao Papa  

O mundo perdeu o papa João Paulo II. E o Dispensário Santana, um dos núcleos do programa Segundo Tempo em Feira de Santana na Bahia, recorda com muita emoção a visita que 60 crianças, entre estudantes carentes e meninos de rua, fizeram ao chamado João de Deus, no dia 3 de outubro do ano passado. Entre missas e orações, as crianças relembram os momentos de alegria ao lado do Sumo Pontífice durante viagem da delegação brasileira chefiada pelo ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, a última autoridade brasileira a estar com o Papa.

Atendidas pelo Segundo Tempo na parceria com a Fundação de Apoio ao Menor de Feira de Santana (Famfs), as crianças participantes da Banda Filarmônica fizeram duas apresentações no dia 02 de outubro, na praça São Pedro - a primeira antes da missa de beatificação do padre francês Pietro de Vigne, patrono da unidade mantida pelo Ministério do Esporte.

“Prestigiados por uma grande multidão, nossos meninos deram um show de música”, orgulha-se a irmã Rosa Maria Borges Ribeiro, coordenadora do Segundo Tempo. A religiosa, diretora do Dispensário, se emociona ao recordar que foi justamente na segunda apresentação, após a missa, com a roda de capoeira, que os estudantes brasileiros despertaram a atenção da multidão. “Canção Nova, uma emissora de TV italiana, entrou com nossa matéria ao vivo, interrompendo a programação diária. Nossas crianças mostraram para o mundo o quanto é simples investir nos desamparados quando os governantes têm boa vontade”, conta.

Durante a audiência pública, no dia 3 de outubro de 2004, que Agnelo Queiroz e dois estudantes do programa Segundo Tempo, Jefferson Paiva, 12 anos, e Rogério dos Santos, 14 anos, tiveram o privilégio de falar com João Paulo II. Os meninos entregaram presentes fabricados no Programa Pintando a Liberdade (bolas, camisas e bolsas) e também produtos confeccionados pelas crianças do Dispensário (toalhas, lenços e bijuterias cromadas).

João Paulo II manifestou preocupação com a questão dos menores de rua e quis saber o que estava sendo feito pelas crianças do Brasil. Agnelo Queiroz explicou, em breve conversa, que todo material esportivo era fabricado por presidiários do Brasil, participantes do Programa Pintando a Liberdade, e que eram destinados às crianças carentes do Segundo Tempo, ambos programas do Ministério do Esporte. Segundo assessores do Vaticano, o Papa teve uma boa impressão do trabalho desenvolvido no Brasil.

Ao final da audiência pública, mais um fato inesquecível marcou a visita da delegação brasileira à Roma. No momento em que o Papa era conduzido por um religioso em uma cadeira móvel rumo ao elevador de saída, já com a saúde debilitada, as crianças do Segundo Tempo começaram a cantar “A Benção João de Deus”. A euforia das crianças ao cantarem a música, tema de sua primeira visita ao Brasil, fez com que João Paulo II pedisse para retornar, colocando-se de frente à delegação brasileira, acenando e abençoando. “Nossa banda tocou mais umas quatro vezes a mesma música e o Papa só foi embora quando paramos”, conta irmã Rosa.

“Foi uma semana inesquecível”, revela o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz. Os músicos mirins se hospedaram na Escola Nostra Senhora do Santíssimo Sacramento e na Escola Pio Brasileiro, escolas da congregação católica. Durante a estadia, participaram de disputas de futebol com os estudantes locais.

O arcebispo de Feira de Santana, Dom Itamar Vian, e o presidente da Famfs, Antônio Lopes Viana, também integraram a visita da delegação brasileira. “Aqui em Feira de Santana estamos muito tristes com o falecimento do Papa, mas, por outro lado, por meio do esporte tivemos a oportunidade única de estar com ele em vida e alegrá-lo com nossas crianças”, revela Antônio Lopes.

O ministro Agnelo Queiroz demonstrou sua consternação pela morte do Papa João Paulo II e afirmou que “para os grandes líderes, como o Papa, o trabalho pelas crianças e por um mundo melhor não tem fronteiras, não é dividido entre países”. Na parceria com a Famfs, o Ministério do Esporte contempla 35 mil crianças em 104 núcleos distribuídos em 102 municípios.


Carla Belizária


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