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28/03/2005 às 16:50 - Segundo Tempo muda realidade de quebradeiras de coco babaçu no interior do Maranhão  

Distante da capital maranhense - São Luis - quase 200 quilômetros, o povoado de Coque, localizado no município de Vitória do Mearim, tem uma população de 6 mil habitantes. A maioria sobrevive da quebra de coco babaçu e da agricultura. Com 70 anos de existência, a comunidade é cortada pela BR – 220 e conta com apenas quatro escolas públicas e um posto de saúde. Não existem creches ou bibliotecas. Com a chegada do Segundo Tempo, programa de inclusão social do Ministério do Esporte, a população espera dar um novo rumo ao município e construir uma nova realidade para os jovens.

Apesar de toda a miséria da região, a população se uniu em torno de uma nova consciência social. Os coordenadores e monitores do programa na cidade abriram mão do primeiro salário que receberiam do Segundo Tempo para investir na construção da única quadra poliesportiva da localidade. As fortes chuvas impediram a conclusão da obra e o lançamento, previsto para essa semana, foi adiado para o próximo dia 20 de abril.

“As crianças daqui estão se viciando em drogas e se prostituindo aos 11 anos de idade e ninguém faz nada. Só agora vamos ter um programa para tirar essa meninada dessa vida”, diz a quebradeira de coco, Dona Nazaré da Silva. A renda de R$ 3,00 por dia, obtida na quebra de seis quilos de coco babaçu, faz com que ela deposite no Segundo Tempo a única esperança de ter os dois filhos mais velhos praticando exercícios e tendo reforço escolar e alimentar gratuitamente. “Preciso trazer comida para casa e eles precisam estudar. Só que trabalhando na roça não posso acompanhar a vida deles e saber se estão com companhias ruins”, revela Nazaré.

Raimunda Coleta, 55 anos, quebra cocos desde os 10 anos de idade. A atividade que hoje lhe resulta fortes dores nas costas é um problema pequeno quando o assunto é oferecer um futuro melhor para o filho caçula Carlos Adriano. O jovem de 16 anos, apesar de esforçado nos estudos, foi reprovado no ano passado na 7ª série. “Ele arrumou uns amigos errados na rua, mas tenho fé em Deus que o programa Segundo Tempo vai fazer com que Adriano volte a estudar e se afaste de gente errada”, revelou a mãe.

Outro problema enfrentado na região é a desnutrição. Por isso, além do reforço escolar e da prática esportiva, os jovens receberão gratuitamente do Ministério do Esporte uma alimentação especial reforçada a base de carne, peixe, frango, arroz, feijão e frutas. Entre as modalidades desenvolvidas nos núcleos estão o futebol, vôlei, basquete, handebol, futsal e capoeira.

Na parceria do Ministério do Esporte com a ONG Meac - Movimento Esportivo Amador Coquense - serão implantados dois núcleos de atendimento. O primeiro instalado em Coque, contempla 300 crianças e o outro, na Vila Reginaldo, bairro mais pobre da sede do município, atenderá 100 alunos. “Coque aguarda com ansiedade a chegada do Segundo Tempo para combater a situação de abandono e a ociosidade que foi submetida a juventude daqui”, revela Augusto César Moreno Serejo, presidente da Meac.

O Meac surgiu há quatro anos com o objetivo de desenvolver atividades culturais como a dança folclórica do bumba-meu-boi e o baile de São Gonçalo. Atualmente desenvolve também cursos profissionalizantes como a fabricação de redes, colchas e lençóis bordados à máquina e à mão.

Para o lavrador Raimundo Moreno, pai do estudante Cleílon, 13 anos, o Segundo Tempo vai atrair o filho para a prática do futebol da mesma forma que irá combater a rebeldia típica de adolescentes. “Cleílton foi perguntar quanto teria que pagar para participar do programa. Os coordenadores disseram a ele que o preço seria ter notas azuis e bom comportamento”, brincou.


Carla Belizária


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