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17/03/2005 às 16:30 - Segundo Tempo beneficia 800 crianças carentes da Estrutural em Brasília  

O ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, lançou hoje (17/03) mais um núcleo do Programa Segundo Tempo no Distrito Federal. A unidade atenderá 800 alunos carentes da Estrutural, uma das regiões de maior risco social da capital. A maioria dos contemplados são filhos de catadores de lixo e de moradores que vivem de empregos informais. O núcleo é localizado na Escola Classe 08 da Octogonal e já está em funcionamento há um mês.

Para Agnelo Queiroz, o Segundo Tempo chega na Estrutural em boa hora, porque permite o resgate da auto-estima de crianças e jovens expostos aos perigos das ruas. “Esse é o grande diferencial do Segundo Tempo. A criança pode praticar exercício e se tornar um grande atleta. Mais do que formar um desportista, o programa forma cidadãos para a vida”, explica.

“A Estrutural é uma cidade carente onde poucas pessoas têm coragem de entrar e trabalhar a inclusão social. Com a chegada do Segundo Tempo, os jovens terão o tempo ocioso ocupado e a auto-estima resgatada”, revelou Abigail Ferreira, presidente do Instituto de Cooperação Humano e Desenvolvimento Social (CODHES), ONG parceira do programa.

Raul José Ferreira Júnior, diretor executivo da CODHES, definiu o Segundo Tempo como “um programa social maravilhoso, que tem uma grande contribuição para a formação de jovens em situação de risco social”. A ONG desenvolve há cinco anos ações de valorização dos direitos humanos junto a crianças, jovens e mães solteiras da localidade. “Na Estrutural, nossos jovens estão expostos a todos os tipos de perigo. A pobreza e a falta de oportunidade desviam a juventude do caminho do bem. Esses problemas começam a ser combatidos em nossa comunidade com a chegada do programa”, afirma Raul Júnior.

Os alunos contemplados pelo programa não disfarçaram a emoção em participar do Segundo Tempo e ainda fizeram planos para o futuro. Lauriane Rocha, 10 anos, é filha de empregada doméstica. Ela disse estar feliz em participar do programa. Estudante da 2ª série, ela assume o papel de “dona-de-casa” todos os dias em que a mãe sai para trabalhar. “Graças ao Segundo Tempo não terei mais que ficar com a porta trancada em casa cuidando de dois irmãos mais novos. Agora eu vou praticar capoeira e vôlei e, quem sabe, serei uma atleta internacional”, revelou.

“Antes meu passatempo era jogar bilocas com meus irmãos Mateus e Tiago na areia. Agora, estamos juntos aprendendo capoeira no Segundo Tempo. Um dia tenho certeza que serei um mestre”, disse o aluno Lucas Tadeu Nunes, 9 anos, filho de uma vendedora de picolés na Estrutural. A estudante Priscila Gomes, 10 anos, quer ser cantora. “Meu sonho é ser igual a Sandy, da dupla Sandy e Júnior”, garante Priscila ao afirmar que as aulas de canto oferecidas nesse núcleo do programa irão ajudá-la bastante.

Os planos de Leandro Faria, 10 anos, vão além do esporte. “Acredito que a resistência física que a gente adquire praticando esporte será muito importante para mim quando eu for um engenheiro civil e precisar subir em prédios e visitar obras”, calcula.

A solenidade foi prestigiada pelos moradores da Estrutural, lideranças comunitárias e pelo secretário Nacional de Esporte Educacional, Rafael Aguiar Barbosa. Houve apresentação do coral “Vasos de Valor” e de roda de capoeira.

O Ministério do Esporte assegura aos alunos da Estrutural, às segundas, quartas e sextas-feiras, a prática de atividades como vôlei, basquete, capoeira, futsal e futebol de campo, além de complemento alimentar, reforço escolar, uniforme e material esportivo. Os alunos também podem fazer aulas de canto, uma atividade extracurricular oferecida pelo núcleo. As atividades se desenvolvem no período oposto ao horário escolar. O governo federal ainda disponibiliza 16 profissionais - oito professores de educação física e oito estagiários - para o acompanhamento dos jovens.

Criada em 1975, inicialmente por catadores de lixo do antigo Lixão, sem moradia, a Estrutural acaba tendo que conviver com diversos problemas, resultado do desordenamento urbano. São aproximadamente 50 mil moradores que residem em 6.500 casas - cerca de 85% são barracos de madeira e o restante de alvenaria. A situação social gerou problemas crônicos de desenvolvimento humano como: prostituição infantil, gravidez precoce, subnutrição, desemprego, uso de drogas, alcoolismo e violência urbana.


Carla Belizária


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