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14/03/2005 às 18:27 - Segundo Tempo no DF combate desnutrição e forma campeões  

Nas olimpíadas da vida, o Segundo Tempo é ouro. Quatrocentos estudantes das chácaras Itapuã e Del Lago, do Paranoá e do Assentamento do Varjão, áreas em risco social no Distrito Federal, estão descobrindo no esporte uma nova paixão. O caratê tem transformado a vida de muitos jovens carentes e garantido um lugar onde poucos sonharam estar: no pódio. O programa de inclusão social do Ministério do Esporte funciona como fórmula básica para transformar a rebeldia em disciplina, respeito ao próximo e vontade de vencer limites.

Leonardo Nascimento, 8 anos, e Marcelo da Conceição, 9 anos, já fazem parte dessa mudança. Há 15 dias, eles ganharam medalha de ouro na categoria infantil da Copa Goiana de Caratê, realizada em Formosa (GO). A disputa é válida para o ranking do campeonato brasileiro. Na infanto-juvenil, Pierre Freire, 11 anos, e Pedro Henrique Antunes, 14 anos, conquistaram medalhas de prata. Flávio Nascimento, 11 anos, também seguiu os passos do irmão Leonardo, ouro na categoria, e conquistou medalha de bronze.

A empregada doméstica Maria Luzanira Pereira atribui o desempenho esportivo dos filhos Leonardo e Flávio ao “pulso firme” que recebem diariamente no núcleo do programa instalado na ONG Resgate da Vida. “No Segundo Tempo quem não tira boas notas não viaja para disputar campeonatos”, reforça a mãe. “Meu filho Flávio, que era repetente da 3ª série e não gostava de estudar, passou de ano com notas boas”, acrescenta.

Para Flávio, o reforço escolar foi determinante para a aprovação nas disciplinas de Português e Matemática. Já Leonardo, ainda se recupera de uma crise causada pela desnutrição. Com dificuldade de memorização, Luzanira explica que o filho só voltou a se esforçar nos estudos com o incentivo do esporte. “Ele estava subnutrido e apesar de muito esforçado na escola não conseguia memorizar as matérias. Ficou deprimido e com auto-estima baixa porque não passou numa única matéria. Agora, virou campeão”. Com a saúde recuperada e com o reforço alimentar do programa, Leonardo poderá voltar normalmente às aulas e fazer aulas de aceleração para não perder o ano escolar.

“Para que o Leonardo participasse dos treinos do campeonato, tivemos que abrir uma exceção. Ele prometeu se empenhar ao máximo nos estudos. O voto de confiança rendeu bons resultados. Hoje, ele se consagrou campeão e começa a mudar a realidade em que vivia”, revelou o professor Manoel Cardoso, presidente da ONG Resgate da Vida. Além da alimentação e do reforço escolar, Leonardo contou com um trabalho especializado de fortalecimento muscular. “A sua história de subnutrição e a sua tristeza em não poder treinar para o campeonato foram os episódios que mais nos motivaram a lhe dar uma oportunidade”, justificou Manoel, que também é professor de Educação Física.

Com renda mensal de R$ 260, Luzanira paga o aluguel e sustenta quatro filhos. A alimentação que os filhos recebem, de segunda a sábado nas atividades do programa, é, para ela, um grande alívio no bolso. E comemora os resultados das crianças: “Flávio ganhou peso depois que entrou no programa. Ele tinha apenas 29 quilos, um peso muito pouco para a idade dele. Hoje, ele está com 34 quilos. Já o Leonardo poderia estar no hospital se não tivesse essa comida do Segundo Tempo. Nesse tempo que ele praticou as atividades físicas, ele ganhou três quilos. Agora, ele está mais fortinho. E vai ganhar mais peso ainda. Até o apetite dele melhorou”.

Em menos de um ano de aulas esportivas, os alunos da unidade Resgate da Vida levantaram a bandeira do Segundo Tempo. A equipe masculina conseguiu o quinto lugar nos jogos da Liga Desportiva do Paranoá, e a feminina, o vice-campeonato dos jogos do Departamento de Educação Física, Esportes e Recreação (Defer/DF). Atualmente, Tiago Justino, 17 anos, Rodrigo Viana, 16 anos, Vancris Alves, 15 anos e Roberto Parreiro, 14 anos, apresentaram potencial esportivo e foram selecionados para participar gratuitamente da escolinha do Gama Futebol Clube. “Eles passarão por uma peneira que vai detectar aqueles que podem participar do time da segunda divisão do Distrito Federal como profissionais”, explica Manoel Cardoso.

Cerca de 20% dos jovens contempladas nos dois núcleos são assistidos pelo Conselho Tutelar


Carla Belizária


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