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Histórico

Jogos dos Povos Indígenas
“O Importante não é competir e sim, celebrar”

Durante 508 anos os povos indígenas ficaram à margem da sociedade brasileira. Sociedade essa idealizada de acordo com os critérios de „civilização‟ adotados pelo colonizador a partir do primeiro contato. Como uma das mais graves conseqüências desse isolamento, inúmeras comunidades e povos foram dizimados, restando hoje, apenas 450 mil indígenas, que vivem em praticamente todo território brasileiro, exceto nos estados: Piauí e Rio Grande do Norte.

A diversidade cultural dos povos indígenas brasileiros é hoje representada por cerca de 230 etnias que vivem em suas terras originais e que ainda mantêm vivas aproximadamente 180 línguas. São povos diferentes entre si, cada uma com sua identidade cultural, manifestações, usos, tradições, costumes, habilidades tecnológicas, organização social, ritos, crenças, filosofias, espiritualidades e seus esportes tradicionais peculiares.

Até pouco tempo atrás, estes dados eram pouco conhecidos e divulgados. Não havia um mecanismo que pudesse resgatar e incentivar as práticas das tradições indígenas em sua essência. Foi quando, em 1980, os irmãos Carlos e Marcos Terena, idealizaram e planejaram a realização das “Olimpíadas Indígenas”, no sentido de agregar estes valores dos esportes tradicionais indígenas, já que até então nenhum trabalho nesse sentido fora antes realizado de forma oficial. Durante 16 anos, os irmãos buscaram ajuda nos gabinetes dos dirigentes esportivos governamentais, levando a proposta para a criação do evento, porém nunca foram levados a sério.

Somente em 1996, com a criação do Ministério Extraordinário dos Esportes e Turismo é que a proposta foi aceita pelo então ministro Edson Arantes do Nascimento - o Pelé, para a realização dos I Jogos dos Povos Indígenas. O então Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto - INDESP, órgão executivo do Ministério dos Esportes, designou Marcos Roberto e José Eduardo, ambos assessores do referido órgão na época, à disposição do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, para juntos iniciarem os trabalhos de planejamento de custos e recursos financeiros para realização da primeira edição do evento.

Mesmo sem nenhuma experiência com a cultura indígena, os assessores acompanharam os irmãos Terena em visitas a diversas aldeias pelo país a fim de delinear diretrizes e traçar objetivos para estabelecer um formato para os Jogos. As pesquisas in loco eram indispensáveis, já que um evento desse porte com foco nos povos indígenas jamais havia sido realizado nos cenários nacional e internacional.

Fazer com que vários povos indígenas, após 500 anos em que outrora foram inimigos tradicionais, se encontrassem e se conhecessem através de suas manifestações desportivas culturais milenares já não era algo utópico. Enfim, o sonho dos irmãos Terena estava perto de se tornar realidade.

Assim na tarde do dia 16 de outubro de 1996, em Goiânia-GO, representantes do Povo Krahô, originários do Tocantins, friccionaram pedaços de madeira com pedra, provocando a faísca que faria nascer a primeira chama do fogo sagrado dos I Jogos dos Povos Indígenas. Mais de 24 etnias e cerca de 600 participantes adentraram no estádio olímpico da cidade para as primeiras atividades. Foi ali, em Goiânia, o marco dos Jogos dos Povos Indígenas (JPI), que este ano chega a sua décima edição.

No ano seguinte, em 1997, começa uma nova batalha junto ao Ministério do Esporte e Turismo no sentido de dar continuidade ao projeto dos JPI. Depois de muita insistência e graças a uma engenharia política, os irmãos Terena convencem o então ministro, Rafael Greca de Macedo, a realizar os II Jogos dos Povos Indígenas, que ocorreu somente dois anos depois na Cidade de Guaíra, no Paraná, entre os dias 14 e 20 de outubro de 1999.

O Ministério do Esporte já estabelecido como o principal patrocinador do evento, estava convencido do sucesso dos JPI. Por isso, com a busca de outras parcerias e sempre com a orientação dos irmãos Terena, através do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, realizaram a terceira edição dos JPI em 2000 em Marabá-PA; o IV Jogos no ano de 2001 em Campo Grande-MS; o V Jogos, em 2002 na cidade de Marapanim-PA; o VI Jogos no ano de 2003 em Palmas-TO; o VII Jogos, em 2004 em Porto Seguro- BA, o VIII Jogos no ano de 2005 em Fortaleza-CE, o IX Jogos no ano de 2007 nas cidades de Recife e Olinda-PE e a X edição, realizada em 2009 no município de Paragominas-PA.

A proposta dos Jogos dos Povos Indígenas preceitua o Art. 231, Capítulo VIII da Constituição Federal: "São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições", em consonância com a Lei 6.001 de 19 de dezembro de 1973, no seu Art. 47. "É assegurado o respeito ao patrimônio cultural das comunidades indígenas, seus valores artísticos e meios de expressão". Art. 217, inciso IV, da Constituição Federal do Brasil, que se traduz na "proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional" e ainda o Art. 31, Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, do ano de 2007: "Os povos indígenas têm o direito a manter, controlar, proteger e desenvolver seu patrimônio cultural, seus conhecimentos tradicionais, suas expressões culturais tradicionais, esportes e os jogos tradicionais e as artes visuais e interpretativas".