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03/02/2012 às 12h28 - Goalball do Pelc transforma realidade de portadores de deficiência visual em Recife


Na capital pernambucana, pessoas cegas ou de pouco grau de visão encontram no goalball (espécie de handebol adaptado), modalidade esportiva oferecida pelo Programa Esporte e Lazer da Cidade (Pelc), a oportunidade de ampliar os conhecimentos, difundir a prática e reafirmar sua independência como cidadãos brasileiros. Entre os 3.200 beneficiados nos oito núcleos da parceria Ministério do Esporte com a prefeitura de Recife, estão duas equipes de goalball, masculina e feminina. São atletas com idades entre 25 e 36 anos, que após um dia de jornada de muito trabalho treinam à noite por amor ao esporte.

Os dois times do Pelc colecionam importantes títulos. O masculino foi vice-campeão brasileiro em 2005, conquista repetida em 2009 pela equipe feminina. Já em 2010, os homens conquistaram o título nacional. A meta agora é disputar o Campeonato Pernambucano, previsto para março.

A determinação de virar o jogo na quadra é uma constante na vida dos jogadores. A atleta Maria Célia de Santana, 45 anos, é massoterapeuta e sai todos os dias de casa às 5h para trabalhar.  Ainda jovem, aos 20 anos, teve perda total da visão, em decorrência de um deslocamento de retina seguido de erro médico. A atleta, que nasceu em Vitória de Santo Antão (PE) e mora com a irmã no bairro Iputinga, encontrou no esporte a motivação para superar desafios e conquistar a independência financeira.

Aos 30 anos, Célia integrou um grupo de educação física para portadores de deficiência. Aprendeu a natação, o atletismo e o goalball, modalidade em que se sagrou vice-campeã da segunda divisão e participou de vários regionais. “Sou grande e por isso tenho arremesso mais forte. Hoje sou feliz porque saio direto do trabalho e vou para o jogo. Encontro no esporte a minha grande paixão”, revela.

A mesma determinação é demonstrada por José Fabiano Silva Barbosa. O jogador de 23 anos participou do Sul-Americano de 2009, em Bogotá, e foi convocado no ano passado para integrar a seleção principal. Natural de Pincesa Isabel, no interior da Paraíba, sofreu uma atrofia do nervo ótico, que o deixou cego.

Na época, a cidade tinha poucos recursos para que ele continuasse a estudar – aprendeu o braile sozinho –, então José Fabiano se mudou para Recife, onde conheceu o Instituto de Cegos e o Pelc. Teve a certeza de que não voltaria a enxergar, mas, ao mesmo tempo, abriu novos caminhos ao praticar o goalball. “Antes eu já gostava de esportes: joguei handebol e futsal. Gostar do goalball foi moleza”, lembra. Ele é educador social no Instituto de Assistência Social e Cidadã (Iasa), uma autarquia da prefeitura.

Inclusão
Os treinamentos acontecem em dois subnúcleos, no Instituto de Cegos do Recife e na Associação Pernambucana dos Cegos (Apec), no bairro Madalena. A coordenadora Natalia Gabriela da Silva, que faz o acompanhamento das turmas há cerca de um ano, destaca o envolvimento das equipes do Pelc com outras ações que a prefeitura desenvolve como ponto positivo do programa. “Por meio do Pelc, eles se sentem incluídos, saem de casa felizes para a prática do esporte.”

Os atletas Glória Tavares e Claudio Souza também se destacam entre os jogadores de goalball. Eles moram na cidade de Paulista, na região metropolitana da capital. O casal está sempre na linha de frente do Pelc, ao lado do professor Edmar Sampaio. Cláudio é funcionário da secretaria de uma escola na Ilha do Leite e Glória é técnica de raio x concursada do governo – trabalha numa UPA da cidade. “Eles são muito otimistas. Trabalham aqui comigo e são um exemplo para todos”, orgulha-se o educador.

Entenda o jogo
O goalball tem como objetivo jogar uma bola com as mãos no gol do adversário. Cada time conta com três jogadores e três reservas. Todos os atletas usam vendas nos olhos, e a percepção é pelo tato, pela audição – utiliza-se bola com guizo – e pelas linhas do chão. A concentração e o silêncio são fundamentais enquanto a bola estiver em jogo.
    
Carla Belizária
Foto: Divulgação
Ascom – Ministério do Esporte
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