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23/11/2011 às 12h12 - Pelc Indígena nos povos Xavante, Wai Wai e Terena apresenta resultados iniciais positivos


O Brasil conhece 220 etnias indígenas, que falam 180 línguas. Todas elas com suas preferências recreativas relacionadas à atividade física, que variam de práticas corporais – dança, pinturas e lutas – a jogos diferenciados. Só que a tradição, em alguns casos, estava sendo esquecida por causa do convívio dos povos com a população não índia, gerado pela proximidade das aldeias com as cidades. “Mas, se depender do Programa Esporte e Lazer da Cidade (Pelc Indígena), as etnias Xavante (MT), Wai Wai (PA) e Terena (MS) estarão fora desse cenário”, aposta Cláudia Bonalume, diretora de programas do Ministério do Esporte.

Cláudia se baseou nos depoimentos de participantes do Fórum Social dos Jogos dos Povos Indígenas, realizado no período de 5 a 12 de novembro, em Porto Nacional (TO), e em testemunhos de pessoas envolvidas diretamente com uma das três etnias participantes do Pelc, os Wai Wai. Eles não participaram dos Jogos, mas sinalizam grande evolução das ações propostas pelo programa.

Pelc Wai Wai: melhoria na saúde
“Está ótimo, melhor impossível, o programa desenvolvido junto aos 2 mil habitantes da aldeia Mapuera, localizada em Oriximiná, no Pará, na fronteira do Brasil com a Guiana”, afirma Stela Santos, interlocutora e representante da prefeitura local. Segundo ela, que também é tradutora indígena, das nove aldeias contempladas, duas estão em fase de ajustes.

Stela conta que é grande o entusiasmo dos indígenas Wai Wai em aprender para melhorar a qualidade de vida das comunidades, principalmente no que se refere às condições de saúde. A representante ressalta que, no início do programa, os índios entendiam que alongamento era o mesmo que atividade física, e não uma prática introdutória. “Hoje eles sabem que ambas são importantíssimas para evitar as dores musculares que assolam os parentes”, destaca.

“São problemas gerados por sentar de cócoras, dormir em redes e carregar excesso de peso, como as embarcações”, diz, ao lembrar que os rios Mapuera, Cachorro e Trombetas são repletos de cachoeiras com concentração de pedras, o que força os indígenas a carregar as canoas nos braços e nas costas para desviar o percurso e evitar naufrágios.

Pelc Xavante: apoio de idosos
Samira, diretora do Conselho Nacional de Mulheres Indígenas (Conami), explica que enfrentou dificuldades de aceitação enquanto liderança indígena feminina. Superado o problema cultural – mulheres raramente ocupam cargos tradicionalmente destinados ao sexo masculino –, ela garante que o programa chegou em boa hora, apesar da resistência inicial, especialmente por parte das indígenas. A diretora acrescenta que mais de 4 mil pessoas são atendidas em 10 aldeias do Mato Grosso.

Já o subcoordenador Rodolfo Xavante conta que, apesar de o esporte e a arte das etnias serem complexos, “precisam ser mantidos”. Ele admite que o difícil trabalho desenvolvido tem sido compensador porque conta com o ajuda dos idosos da aldeia. “É uma intervenção que tem dado certo. No início do Pelc, a juventude mantinha a tradição original e ainda assim gostava de vôlei e basquete. Só que os anciãos gritam e aconselham para que eles mantenham a tradição, como, por exemplo, a corrida de tora.

Pelc Terena: orgulho da origem
Desde a implantação do Pelc, no primeiro semestre deste ano, quase 50 competições de arco e flecha e várias palestras na língua Terena foram realizadas. Atividades de lazer, como o jogo de damas, têm propiciado uma maior interação entre os jovens, que não tinham muito o hábito de conversar entre eles. Agora, o diálogo passou a fazer parte das atividades e, num bate-papo informal, criou-se o hábito de falar sobre a origem do povo. “Com a ajuda dos mais vividos da aldeia, estamos fazendo da história de nossos ancestrais uma prática diária”, conta Ramão Vieira de Souza, representante da Associação dos Povos Indígenas do Pantanal.

Ramão informa que os resultados iniciais têm sido os melhores possíveis. São 4,5 mil indígenas Terena, das aldeias Moreira, Cachoeirinha, Lagoinha, Babaçu, Argola, Morrinho, Passarinho e Lalima, no Mato Grosso, interagindo com as atividades propostas pelo Pelc.

O Pelc Indígena é uma ação do Ministério do Esporte que apresenta o lazer com formato diferente, adaptado de acordo com a realidade nativa. A ideia é valorizar as tradições étnicas – principalmente as praticadas pelos ancestrais –, dentro dos princípios éticos das tribos, para alcançar uma melhor qualidade de vida, resgatando assim a identidade de cada povo.

Confira, no Por dentro do Esporte, vídeo sobre o Pelc Indígena




Carla Belizária
Foto: Francisco Medeiros
Ascom – Ministério do Esporte
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