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07/06/2011 às 10h30 - Ministério do Esporte realiza formação indígena do Pelc na aldeia dos Wai Wai


Com a missão de conhecer a rotina dos habitantes da aldeia Mapuera, em Oriximiná (PA), e de construir o primeiro módulo indígena do Programa Esporte e Lazer da Cidade (Pelc), Leonor Brenner, Claudia Bonalume e Carolina Vasconcelos chegaram ao local sob os olhares curiosos de muitos índios Wai Wai, das mais variadas faixas etárias. Ao desembarcarem do voo fretado de Santarém (PA) até o povoado, as técnicas do Ministério do Esporte foram recebidas pelas lideranças indígenas. “O povo Wai Wai fica orgulhoso com a vossa presença”, disseram Paulo Wai Wai, presidente da Apim (entidade parceira do Ministério), e o Cacique Eliseu.


A aldeia fica no Pará, na fronteira do Brasil com a Guiana. O acesso é feito por canoas movidas a motor, a partir do município de Oriximiná, ou com pequenos aviões. A permanência das educadoras durou três dias. No relatório apresentado à secretária Nacional de Desenvolvimento de Esporte e Lazer, Rejane Penna, fizeram muitas observações, repassaram com riqueza de detalhes tudo o que viram, os resultados da formação do programa, bem como os acordos feitos com a comunidade local. O principal deles é o que o Pelc Indígena será lançado nos dias 23 e 24 de julho, aproveitando o evento dos Jogos dos Wai Wai.

Hábitos

Mesmo isolados, todos se vestem como não-índios. A maior parte das mulheres usa saia. Elas são mais retraídas e não entendem português. Os índios não podem mais praticar lutas porque muitos se machucavam e o cacique anterior proibiu. Os idosos não circulam muito. Ficam mais em casa fazendo artesanato, descansam na rede ou construindo canoas, coisa que só os velhos sabem fazer.


Na aldeia tudo é sem cor. Só uma casa é pintada. Nela vende-se artesanato a preço de mercado. Um gerador de energia elétrica é ligado no fim da tarde, diariamente. A escola da aldeia, que ainda não esta legalizada, foi reativada e não recebe verbas diretamente. Dois professores vão atuar no Pelc Indígena: Wilson (coordenador) e Iranildo Wai Wai, professor de inglês, como apoio. “Wilson se revelou uma excelente parceria. Acompanhou toda a formação e atuou auxiliando na tradução do que falávamos”, disse Leonor Brenner.


A equipe técnica conferiu que os esportes e as atividades realizados atualmente pelos Wai Wai são: futebol, cabo de guerra, corrida, arco e flecha, brincadeiras no rio e atividades culturais (dança e canto). Foi constatado ainda que saúde, educação (escola de ensino fundamental e médio), ponto de cultura, projeto de produção de pimenta, Funai e Secretaria Estadual do Meio Ambiente são atuantes no povoado.


Papel das mulheres
O plano inicial previa o treinamento de nove agentes indígenas, mas 28 índios participaram da capacitação.  A maioria se identificou como técnico de futebol. Não havia nenhuma mulher. Questionados a respeito, disseram que a presença masculina era da cultura deles. "Argumentaram que nós também não tínhamos homens trabalhando no grupo”, contou Leonor.

Observou-se a inexistência de mulheres no papel de liderança. Elas trabalham muito, são responsáveis pelo plantio e cultivo dos alimentos (restrito a mandioca, banana e pimenta) e pela criação dos filhos.

Após convite incisivo das técnicas, as mulheres compareceram às atividades, junto com filhos pequenos, e revelaram muita dificuldade em organizar as coisas com antecedência, pois estão acostumadas a fazer tudo “na hora”, sem planejamento. “Elas demoram para se organizar, mas quem está esperando é bastante paciente”, registrou Claudia Bonalume.

A missão foi cumprida com a elaboração do calendário de formação continuada. Os primeiros nove encontros mensais serão realizados no primeiro sábado de cada mês. Lideranças indígenas falaram do papel do esporte e do lazer para a vida dos índios e não-índios e se comprometeram a desenvolver o projeto da melhor maneira. Concordaram com a realização de atividades tradicionais do arco e flecha (só homens), corrida, cabo de guerra e futebol (masculino e feminino, separados), complementando-as com brincadeiras, artesanato, caminhadas e atividades no rio, entre outras.



Carla Belizária
Foto: Divulgação
Ascom – Ministério do Esporte