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18/05/2011 às 09h15 - Pelc vai fortalecer práticas esportivas tradicionais do povo Xavante


O Programa Esporte e Lazer da Cidade (Pelc) quer preservar a tradição ancestral Xavante e combater a alta incidência de álcool e drogas entre a juventude indígena que habita a terra indígena Parabubure, no município de Campinápolis (MT). Depois dos Wai-Wai, no Amazonas, e dos Terena, em Mato Grosso do Sul, o programa atenderá 4.500 índios – os Âwawẽ e os Po`reza`õno –, integrantes dos dois clãs fundamentais que dividem a sociedade Xavante.

A Idéia é valorizar os indígenas e o desporto Xavante, dentro dos seus princípios éticos, para alcançar uma melhor qualidade de vida. Importantes práticas culturais, como a luta corporal (wái), o arco e flecha e a corrida de tora serão realizadas entre os dois clãs.

A corrida de tora é praticada pelos índios numa espécie de revezamento. Eles carregam nos ombros, por alguns quilômetros, toras de Buriti que podem pesar até 100 quilos. O ganhador é quem completa o percurso primeiro. No arco e flecha, sai vencedor quem atira mais próximo do olho do peixe. Já a luta corporal wái é diferenciada do huka huka, praticado pelos povos indígenas do Xingu, que lutam de joelhos. Os lutadores wái se agarram praticamente em pé. Vence quem primeiro levar o adversário ao solo.

De acordo com a secretária Nacional de Desenvolvimento do Esporte e Lazer, Rejane Penna Rodrigues, o incentivo às atividades tradicionais será o pontapé inicial para que, caso haja interesse por parte dos contemplados, sejam incluidas práticas da sociedade não-indígena. “Incluiremos a prática de esportes coletivos como futebol de campo, futsal, vôlei e corrida de revezamento”, explica.

O núcleo central do programa pioneiro será implantado na aldeia São Pedro, que fica a 70 quilômetros de distância de Campinápolis, município com 15 mil habitantes. O povoado indígena é um ambiente semi-urbano, em que crianças, jovens e idosos convivem num espaço restrito para desenvolver plenamente suas atividades. Uma escola do ensino médio atende a jovens Xavantes das aldeias circunvizinhas. Contudo, não há luz elétrica, telefone e outras comodidades da vida moderna.

Rituais
Outras características dos índios Xavante são os longos e complexos ritos de iniciação para meninos, culminando na cerimônia de furação da orelha. Pequenos paus são inseridos nos lóbulos das orelhas dos iniciados. Esses adereços são usados em tamanho progressivo ao longo da vida. Há também uma estrutura etária no campo feminino, que segue situação similar aos homens, mas conforme a mudança etária de seu marido ou cônjuge.

Depois do primeiro contato com o povo Xavante, em 1949, houve um incentivo à sedentarização, fato que caracteriza a Aldeia São Pedro. Os indígenas do local sofrem problemas como a desnutrição.

Carla Belizária
Foto: Francisco Medeiros
Ascom – Ministério do Esporte