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30/11/2012 às 11h40 - ENTREVISTA: Brasil busca feito inédito no Rio 2016  

Reportagem publicada no jornal O Globo nesta sexta-feira (30.11)


Secretário do Ministério do Esporte diz que país investirá R$ 2,5 bi para ficar entre maiores medalhistas

O secretário nacional de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser Gonçalves, ocupa uma pasta estratégica no planejamento da política esportiva do país. Como secretário, Leyser acompanhou de perto os preparativos para os Jogos Pan-Americanos e a campanha brasileira pelos Jogos Olímpicos. Hoje, participa ativamente dos esforços para que o Brasil, ao sediar as Olimpíadas, possa se cacifar à futura potência esportiva. Ele reconhece que ainda há muito trabalho a ser feito nos próximos quatro anos para que o Rio cumpra a promessa de promover Jogos inesquecíveis.

Muitos consideram que a experiência na organização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 foi um dos trunfos para a conquista das Olimpíadas. Os críticos, por sua vez, dizem que o Pan não deixou legados para o país. O que o Brasil herdou de fato daquele evento?

Os Jogos Pan-Americanos de 2007 ajudaram na redescoberta do esporte de alto rendimento no país. E, como grandes eventos esportivos movimentam um segmento importante da indústria do entretenimento, isso serve também para que as cidades comecem a pensar como podem aproveitar para resolver os seus problemas. No caso do Rio, o esquema de segurança do Pan serviu de base para romper práticas tradicionais e abrir caminho para novas práticas, como a implantação de UPPs. Na candidatura para os Jogos Olímpicos, isso se refletiu no prosseguimento de projetos da cidade a curto, médio e longo prazo, como a implantação de um novo Plano Diretor e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

E o que mudou depois da vitória do Rio em 2009 para organizar as Olimpíadas?

Nós aprendermos que tínhamos que trabalhar pensando mais em metas e planejamento para, de fato, alcançar os resultados esperados. Criamos um plano para ampliar a conquista de medalhas e estamos desenvolvendo a criação de uma rede nacional de centros de treinamento. Ao ampliarmos o repasse de recursos para entidades esportivas, permitimos que elas passassem a ter também mais condições materiais para a conquista de resultados.

Mas já ocorreram problemas. A Confederação de Ciclismo, por exemplo, foi acusada pelo TCU de desviar recursos repassados para desenvolver o esporte.

O que observamos, até o momento, foram mais erros de administração e gestão dos dirigentes esportivos do que realmente má-fé. Nesse caso do ciclismo, estamos falando de exceções.

O senhor poderia detalhar o que é o Plano Medalhas para os Jogos Olímpicos?

O plano foi lançado em setembro deste ano para o Brasil cumprir a meta de ficar entre os 10 primeiros países em número de medalhas em 2016. Ao todo, o governo federal vai investir R$ 2,5 bilhões até 2016. Nessas contas, está a concessão de bolsas para atletas de alto rendimento e para as equipes que ajudam a prepará-los. Desses R$ 2,5 bilhões, cerca de R$ 1,5 bilhão já estavam previstos. De R$ 1 bilhão restante, R$ 690 milhões serão destinados à preparação dos atletas e R$ 310 milhões, à infraestrutura.

A metodologia escolhida é polêmica. Afinal, a meta brasileira é por número de medalhas. Por que não pelo critério mundial que leva em conta a conquista de ouros?

A gente concorda com os argumentos do Comitê Olímpico Brasileiro de que a contagem tem que ser pelo total de medalhas. É difícil preparar um atleta para chegar até as finais das provas olímpicas. Além disso, é preciso avaliar alguns resultados não apenas pela classificação final. Veja o exemplo do basquete masculino em Londres. Fora das Olimpíadas há 16 anos, eles acabaram em quinto lugar, repetindo seu melhor resultado na história dos Jogos. Não dá para considerar um fracasso. Tivemos em Londres algumas decepções no atletismo, o que não significa que não podemos nos reabilitar em 2016.

Esses investimentos podem surtir efeito nos ciclos olímpicos seguintes?

A gestão e capacitação de atletas produzirão efeitos para 2020 e 2024 porque os investimentos vão ocorrer não apenas nos atletas de ponta, mas também na base. O que não impede de já termos algumas surpresas em 2016. Em Londres, esperávamos, por exemplo, um bom resultado da judoca Sarah Menezes, mas com a expectativa que ela tivesse um desempenho ainda melhor em 2016. Mas ela já conquistou o ouro este ano.

E como será feita a distribuição de recursos para infraestrutura de instalações?

O objetivo é atender a todo o país. Em muitos casos, nem será necessário construir novas estruturas. É o caso de ginásios de instituições de ensino, como a UFRJ, a UFGO (Universidade Federal de Goiânia) e a Universidade de Brasília (UnB), que precisavam de reformas para continuarem a servir como referências na formação. Também vamos incentivar com recursos complexos para desenvolver uma rede nacional de centros de treinamento. Estamos investindo R$ 40 milhões no novo centro nacional de treinamento de judô, em Lauro de Freitas, na Bahia. A instalação vai se juntar aos CTs (centros de treinamento) nacionais de handball, em São Bernardo do Campo (SP), e de vôlei, em Saquarema (RJ). Em 2013, vamos lançar um edital para escolher cerca de 300 cidades que participarão de um programa de iniciação esportiva.

E as críticas em relação à transferência do velódromo do Parque Olímpico para Goiânia? Dirigentes reclamam que, enquanto o equipamento olímpico não ficar pronto, a seleção não terá direito de treinar. Esse é um esporte que garante muitas medalhas...

A decisão já está tomada em comum acordo entre o Ministério do Esporte e a prefeitura do Rio. No primeiro trimestre de 2013, o velódromo será desmontado e transferido para Goiânia. É preciso mais compreensão nesse caso. O Rio vai ganhar um velódromo de nível olímpico. Se mantivéssemos a estrutura atual, que não tem tanta qualidade e não pode ser aproveitada para os Jogos, o Rio ficaria com dois velódromos, com o risco de um ficar ocioso. Nessa hipótese, em lugar de fazermos algo permanente, teríamos um equipamento provisório. Enquanto o novo equipamento não for construído, a seleção brasileira de ciclismo pode treinar perfeitamente em Goiânia em vez de no Rio de Janeiro.

As instalações definitivas do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, depois dos Jogos, servirão de centro de desenvolvimento de talentos do COB, exceto a Arena HSBC, que foi privatizada. As instalações provisórias serão reaproveitas em parte, como escolas e creches, pela prefeitura. E a União já planeja como será o dia a dia do futuro Complexo Esportivo de Deodoro que será de administração do governo federal?

Fechamos um acordo em relação à execução das obras que começam no ano que vem e terminam até 2015 para os eventos teste. O Ministério do Esporte repassará os recursos e caberá ao governo do estado realizar a licitação dos equipamentos para agilizar o processo de construção ou reforma de instalações de Deodoro. O modelo é bastante semelhante com o que acordamos com a prefeitura para executar as obras de instalações provisórias e do novo velódromo do Parque Olímpico da Barra. Nós estamos estudando o modelo de gestão da arena e do Parque Radical. Não descartamos a hipótese de parcerias com a iniciativa privada. Mas, independentemente do modelo, a proposta é manter a vocação esportiva dos equipamentos como uma herança das olimpíadas. Não queremos repetir o que a prefeitura fez com a arena HSBC. O ginásio foi construído para o Pan e depois transferido para a iniciativa privada, sem impor condições. Hoje, a arena é um sucesso como casa de shows, mas não como legado esportivo. Temos que levar em conta a realidade daquela área. Em Deodoro, há uma população muito mais carente, inclusive de equipamentos públicos. Queremos consolidar o Parque de Deodoro como um dos grandes legados olímpicos do Rio de Janeiro.

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