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02/09/2009 às 23h26 - Relatório do COI reconhece capacidade de o Brasil realizar os Jogos Olímpicos 2016  

O Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgou nesta quarta-feira (2) o relatório da Comissão de Avaliação que visitou as quatro cidades candidatas aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, entre elas o Rio de Janeiro. Em entrevista coletiva concedida no Palácio da Cidade, no Rio, na tarde do dia 2, o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., disse que o relatório “demonstra a consistência do projeto Rio 2016 e a confiança internacional no nosso país”. Para ele, “se alguém tinha dúvida sobre a capacidade de o Brasil fazer os Jogos, essa dúvida foi dirimida com o relatório”.

O ministro informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou satisfeito com a aprovação do projeto brasileiro. “Lula acredita que o relatório do COI mostra a confiança do mundo no Brasil, reconhece que o país é destino seguro para investimentos e para a realização dos Jogos”.

O documento do COI ressalta que a candidatura brasileira entende “o poder dos Jogos de transformar uma cidade, uma região e um país” e “abarca um excelente plano de legado”. Neste aspecto, o ministro avalia que o COI compreendeu e aprovou o conceito da candidatura do Rio de Janeiro de ter o esporte como instrumento de inclusão social. “Eu quero transmitir ao povo brasileiro a nossa confiança de que podemos sim realizar o sonho olímpico no Brasil”.

Um fator em especial guiou as análises e foi considerado determinante para a Comissão de Avaliação do COI: o engajamento dos três níveis de governo e da iniciativa privada, bem como a existência de um comitê olímpico nacional estruturado, que atuariam de modo coordenado na organização dos Jogos no Rio de Janeiro. O projeto brasileiro prevê que a realização das Olimpíadas de 2016 ficaria a cargo do Comitê Organizador dos Jogos e da Autoridade Pública Olímpica (APO), a ser criada.

A APO é a materialização do compromisso dos três entes federativos brasileiros de centralizar em um só órgão toda a coordenação de serviços públicos e a entrega da infraestrutura necessária à realização dos Jogos, caso sejam realizados no Rio. A estrutura da APO deverá conter, entre outras, divisões dedicadas a tráfego e transporte olímpico, segurança, sustentabilidade, promoção e marketing dos Jogos e preparação das subsedes do futebol. Deverá assegurar a entrega do Parque Olímpico e de todas as demais instalações nos prazos previstos. E supervisionar projetos de regeneração urbana.

Entre os planos para o projeto urbano do Rio 2016, destacam-se melhorias no sistema de transporte, que ganham apoio complementar aos itens descritos no Dossiê de Candidatura entregue ao COI em fevereiro deste ano. O governador Sérgio Cabral anunciou, durante a coletiva de imprensa no Rio, que, além do corredor de ônibus expresso T5 (BRT), que ligará a Barra da Tijuca, coração dos Jogos, à Penha, e da Linha 4 do metrô, ligando a Barra da Tijuca a Ipanema, na zona sul, o planejamento para o transporte da cidade contará, até o final deste ano, com mais melhorias: dia 17 de dezembro, serão inauguradas a linha 1A do metrô, que fará a ligação da Central do Brasil com Botafogo e eleva a capacidade de passageiros na rede metroviária de 500 mil atuais para 800 mil ao dia, e a estação Ipanema.

“A proposta olímpica é completamente conectada com o planejamento urbano de longo prazo da cidade ao mesmo tempo que atende aos requisitos do Comitê Olímpico Internacional”, disse na coletiva o prefeito do Rio, Eduardo Paes, explicando que o projeto para os Jogos conta com investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, o que foi sublinhado no relatório do COI. “Muitos projetos do plano de desenvolvimento da cidade seriam acelerados para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016”, relata a Comissão. O prefeito aproveitou para agradecer à população brasileira pelo apoio à iniciativa de disputar o direito de sediar as Olimpíadas de 2016, lembrando que os Jogos serão de todo o País, “porque, se não fosse a pujança da economia nacional e a criatividade do nosso povo, o projeto olímpico do Rio não teria adquirido credibilidade e a cidade não teria chegado a este momento da disputa em condições de ser escolhida como sede das Olimpíadas de 2016”.

O ministro Orlando Silva chamou a atenção ainda para o fato de que “continua sendo forte para a campanha Rio 2016 o item Garantias Governamentais, que são sólidas, consistentes, e foram muito bem recebidas pela Comissão de Avaliação”. Quanto ao financiamento dos Jogos Olímpicos, a Comissão apontou “confiança” de que a economia brasileira em expansão e pouco afetada pela crise mundial proveria o suporte necessário à infraestrutura demandada para os Jogos. O orçamento dos Jogos no Brasil foi considerado bem preparado, “com uma grande quantidade de detalhes”. O ministro do Esporte sublinhou que, do total de investimentos em ações estruturais – R$ 23,2 bilhões –, dois terços estão sendo executados ou estão planejados para os próximos anos. Ele lembrou que a experiência de realizar os Jogos Pan-americanos e Parapan-americanos Rio 2007, também ressaltada no relatório do COI, trouxe uma “grande aprendizagem que leva a uma maior segurança e confiança na realização de grandes eventos esportivos no País”.

O ministro ainda ressaltou que o documento do Comitê registra em diversos momentos os legados que a candidatura brasileira se compromete a deixar à cidade do Rio e ao Brasil, sendo que o próprio relatório menciona o fato de que alguns programas de legado já estão sendo desenvolvidos na área social proporcionando inclusão por meio do esporte. Neste aspecto, o maior projeto de legado da candidatura brasileira é a expansão do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, que hoje atende 1 milhão de crianças e jovens em todo o País e se compromete a chegar a 3 milhões ao ano até 2016. Orlando Silva citou ainda a implantação do Centro Olímpico de Treinamento (COT) como o projeto que simboliza o legado esportivo dos Jogos de 2016 no Rio de Janeiro.

Os Jogos Pan-americanos de 2007 também foram citados pela Comissão de Avaliação como uma experiência positiva para propiciar a continuidade do trabalho das equipes que organizaram o evento continental e que agora estão engajadas nos preparativos pra o Rio 2016.

O governador Sergio Cabral fez coro: “O Rio de Janeiro já provou sua larga experiência em organizar eventos internacionais”, disse, destacando a segurança pública como exemplo das ações integradas desenvolvidas para o Rio 2007: “O novo modelo de segurança do estado do Rio de Janeiro vem apresentando conquistas que estão expressas no relatório do COI”, disse o governador. No documento, a Comissão de Avaliação cita que “uma apresentação clara da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, demonstrou como o aumento da segurança pública e a redução de crimes foram alcançados nos últimos anos através de uma mudança de abordagem, passando a incluir programas de policiamento e programas sociais com atividades esportivas para integrar de forma mais eficiente áreas carentes do Rio, reduzir a criminalidade e aumentar a participação dos jovens na prática esportiva”.

O grande destaque da mudança na condução da política de segurança no Rio e no País, plenamente demonstrado à Comissão de Avaliação do COI, é o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do governo federal em parceria com estados e municípios, que abarca 94 ações de prevenção e combate à violência e de inserção social. Maior programa de segurança pública da história do Brasil, articula políticas de segurança com ações sociais; prioriza a prevenção e busca atingir as causas que levam à violência, sem abrir mão das estratégias de ordenamento social e segurança pública. A Comissão de Avaliação compreendeu a abrangência e a inovação do programa já na época da visita dos avaliadores ao Rio, de tal modo que o diretor executivo dos Jogos Olímpicos no COI, Gilbert Felli, registrou na ocasião que “Estamos surpresos pela nova maneira de lidar com a segurança pública apresentada pelo governo”.

O Rio de Janeiro concorre com Madri (Espanha), Chicago (EUA) e Tóquio (Japão). O anúncio da cidade que sediará os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 ocorrerá no dia 2 de outubro em Copenhague, na Dinamarca.



Texto: Priscila Novaes e Sueli Scutti

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