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30/04/2009 às 08h20 - Comissão do COI tem sua primeira impressão sobre a Rio 2016  

O primeiro dia de agenda técnica contou com apresentações sobre sete temas do Dossiê de Candidatura


Nesta quarta-feira (29), o primeiro dia de apresentações técnicas sobre a Candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 à Comissão de Avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI), realizadas no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, foi considerado bem-sucedido pelos integrantes da candidatura, que incluíram autoridades governamentais, membros do Comitê de Candidatura Rio 2016, atletas e consultores internacionais.

Os primeiros temas discutidos pela manhã foram Visão, Legado e Comunicação; e Conceito Geral dos Jogos e contaram com a participação do ministro do Esporte, Orlando Silva, do governador do estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, e do prefeito da Cidade, Eduardo Paes. Os demais temas do dia foram Esportes e Instalações; Vila Olímpica; Acomodações; Transporte; e Meio Ambiente.

Em coletiva de imprensa, Orlando Silva reiterou o discurso de amplo apoio do governo federal em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando a solidez econômica do País. “Entre as dez maiores economias do mundo, o Brasil é a única que nunca realizou Jogos Olímpicos”, observou.

O ministro reiterou que o País possui uma economia estável, com ambiente favorável para investimentos. “Trabalhamos para manter o princípio da responsabilidade fiscal, reduzimos a dependência de financiamento externo, ampliamos nossa participação no comércio internacional e obtivemos superávits recordes na balança comercial”.

Para ressaltar que o Brasil tem capacidade de realizar os Jogos, Orlando Silva lembrou que das 500 maiores empresas transnacionais, 400 atuam no País, e que “nosso mercado publicitário está entre os cinco maiores do mundo”.

Para o ministro do Esporte, o fato de, não só o País, como todo o subcontinente da América do Sul nunca ter sediado as Olimpíadas e contar com uma população de 180 milhões de pessoas de até 18 anos de idade é outro ponto forte do Rio 2016: “A mensagem do Movimento Olímpico para a juventude é um diferencial para o Rio de Janeiro e nenhuma outra cidade será tão transformada quanto o Rio. O COI terá uma oportunidade de deixar a marca do Movimento Olímpico permanentemente na cidade brasileira”.

O ministro das Cidades, Márcio Fortes, fez coro sobre a importância dos Jogos como catalisadores de projetos de transformação social e urbana para a cidade do Rio de Janeiro e apontou outro ponto forte da Rio 2016: as garantias de exequibilidade do projeto oferecidas pelo governo federal, sobretudo com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que projeta o investimento global em intervenções na infraestrutura em todo o País da ordem de pelo menos R$ 500 bilhões até 2010.

Fortes participou das apresentações sobre o tema Transportes, que conta com ações do PAC para investimentos, por exemplo, na reforma de aeroportos, no Arco Rodoviário Metropolitano e na expansão da Linha 1 do metrô do Rio.

“Ressaltamos que o que está no PAC é garantia de execução”, reportou o ministro, reiterando que o plano de infraestrutura de transporte conta com sistemas de alta performance para transporte de massa denominados BRTs (Bus Rapid Transit) para interligar a Barra e a zona norte (T5), a Barra e Deodoro (Corredor C) e a Barra à zona sul.

Os BRTs, utilizados também nos Jogos de Pequim 2008, foram considerados pelo secretário executivo do Ministério das Cidades, Elcione Macedo, “um grande salto neste momento para a cidade”.

“Os Jogos podem mudar a vida de centenas de milhares de pessoas, trazê-los ao Rio de Janeiro abrirá as portas para essa transformação”, completou o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman.

O ministro Luiz Barretto, do Turismo, também participou da agenda de apresentações desta quarta-feira, no tema Acomodações. Ele reforçou as condições do Rio de atender aos 46.248 quartos previstos no Dossiê de Candidatura. Serão 10.931 quartos garantidos em hotéis, 1.706 em apart-hotéis, 25.027 em vilas compostas (para mídia, oficiais técnicos, árbitros e força de trabalho) e 8.584 cabines em navios.

“O projeto do Rio é focado na sustentabilidade, tudo o que for construído em Acomodações ficará na cidade e será um importante legado turístico”, afirmou.

Segundo o ministro, as vilas programadas legarão 25 mil residências com os Jogos, que serão vendidas após o evento, atendendo a demandas de moradia da cidade.

“Ficou claro para os membros do COI que a construção da Vila Olímpica está 100% garantida. Temos apoio da Caixa Econômica Federal e o financiamento é garantido”, afirmou Mário Cilenti, do Comitê Rio 2016.

Para o presidente da Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (TurisRio), Nilo Felix, “a apresentação mostrou claramente que o Rio de Janeiro está preparado para os Jogos Olímpicos”.

Já no tema Esportes e Instalações Esportivas, o projeto olímpico inclui estruturas já existentes e novos locais de competição que serão construídos ou montados provisoriamente. Do total de 34 instalações, 53% (18 instalações) já existem, 26% (9 instalações) serão construídas e 21% (7 instalações) serão temporárias.

Segundo o consultor John Baker, especialista no tema, o projeto sobre os locais de competição para os Jogos “foi muito bem planejado e apresentado profissionalmente, através de um trabalho árduo de preparação de todos os envolvidos”.

A zona compacta da Barra da Tijuca, que também foi o coração dos Jogos Pan-americanos Rio 2007, concentrará o Centro Olímpico Nacional de Treinamento, o Riocentro, a Vila Olímpica e a Vila de Mídia, que serão todos interligados, podendo-se transitar de um a outro a pé.

O tempo de deslocamento da Vila Olímpica, que ficará ao lado do Riocentro, para os locais de competição será de 5 a 10 minutos para 50% das instalações e de no máximo 30 minutos para 80% das instalações.

O tema Vila Olímpica contou com a participação da ex-jogadora de vôlei de praia Adriana Behar, que afirmou que, para os atletas, mesmo já tendo estado em outras Vilas Olímpicas ao redor do mundo, “a Vila brasileira seria especial porque, com a hospitalidade do Rio, eles se sentiriam cariocas como nós”.

“A área da Vila Olímpica é atraente tanto pela beleza natural quanto pelas facilidades que apresenta, inclusive em termos de acessibilidade”, completou Cláudia Muricy, representante da Secretaria Municipal de Urbanismo.

Logo depois dos Jogos Olímpicos, a Vila será preparada para se tornar Vila Paraolímpica. A metragem dos apartamentos, por exemplo, permitirá o giro de cadeirantes, o transporte interno será feito nos mesmos moldes dos Jogos Parapan-americanos de 2007, cuja acessibilidade da Vila foi muito elogiada, e haverá elevadores especiais para atender a um grande fluxo de cadeirantes.

“O esporte paraolímpico no Brasil é mais relevante do que na maioria dos outros países. Não obstante, o nosso projeto de Vila Paraolímpica supera os padrões mínimos exigidos pelo COI”, avaliou o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Andrew Parsons.

O último tema da noite, Meio Ambiente, foi aplaudido pela Comissão de Avaliação do COI. A secretária estadual de Meio Ambiente, Marilene Ramos, apresentou as medidas que poderão ser aceleradas com os Jogos Olímpicos. Entre elas está a meta de, até 2016, tratar 70% do esgoto lançado na Baía de Guanabara.

O projeto da Rio 2016 prevê ainda a compensação do carbono emitido pelas operações do evento esportivo, entre outras medidas ambientais em curso nos protocolos dos quais o Brasil é signatário, como o Protocolo de Kyoto e a Agenda 21. Uma das iniciativas asseguradas é a utilização de combustíveis renováveis não somente durante os Jogos, mas no sistema de transporte coletivo da cidade. São diversas as experiências em andamento para uso do etanol em larga escala nos próximos anos. O Brasil é pioneiro na tecnologia de biocombustíveis. O etanol, que emite 90% menos gás carbônico em sua cadeia produtiva, é uma tecnologia brasileira.



Priscila Novaes
Colaboração: Fabiane Schmidt
Ministério do Esporte no Rio 2016

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