Redes Sociais: Facebook   Google Plus   Extragram   Twitter   Flickr   Youtube

Participantes

Conheça algumas etnias participantes dos Jogos dos Povos Indígenas:

Etnias Participantes
 AIKEWARA (PA)  KARAJÁ (TO)  TERENA (MS)
 ASSURINI (PA)  KAYAPÓ (PA)  TEMBÉ (PA)
 BAKAIRI (MT)  KRAHÔ (TO)  UMUTINA (MT)
 BORORO BOE (MT)  KUIKURO (MT)  XAVANTE (MT)
 ENAWENE-NAWE (MT)  MANOKI IRANTXE (MT)  XERENTE (TO)
 GAVIÃO KYIKATÊJÊ / PARKATÊJÊ(PA)  MATIS (AM)  XIKRIN (PA)
 JAVAÉ (TO)  PARECI HALITI (MT)  XOKLENG (SC)
 KAIGANG (PR)  PATAXÓ (BA)  WAIWAI (PA)
 KA’APOR (MA)  RIKBAKSTA (MT)  YAUANAUWÁ (AC)
 KAMAYURÁ (MT)  SHANENAWÁ (AC)  
 KANELA RÃMKOKAMEKRA (MA)  TAPIRAPÉ (MT)   

 

AIKEWARA (PA)

Sua população é de aproximadamente 310 pessoas. Habitam a terra indígena Sororó, demarcada e homologada às margens da BR-153, município de São Domingos do Araguaia, região de Marabá, estado do Pará. Embora com as terras reduzidas, sobrevivem da caça e de uma pequena criação de peixes e frangos. Pertence à família lingüística Tupi-Guarani e muitas de suas tradições são mantidas. Eram conhecidos como Suruí do Pará, nome dado pelos sertanistas que fizerem os primeiros contatos. Entretanto, os líderes da comunidade indígena tomaram iniciativa de resgatar o nome verdadeiro e tradicional da etnia, Aikewara. Os primeiros contatos com o governo aconteceram a partir de 1960, pelo então Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Foram aliciados pelo Exército, que na década de 70 manipulou e utilizou quatro guerreiros Aikewara como guias e batedores no combate aos guerrilheiros do Araguaia, com a promessa de ampliação de seu território, até hoje não cumprida.

ASSURINI (PA)

A população é de aproximadamente 302 indígenas. Habita a terra indígena Trocará, já demarcada e homologada, no município de Baião, próxima à cidade de Tucuruí, margem esquerda do Rio Tocantins, no Pará. Pertence à família lingüística Tupi-Guarani. Autodenominam-se Akuáwa, o que quer dizer “a gente, nós”. No passado formavam com o povo Parakanã um grande grupo Tupi. Todos os anos realizam o cerimonial denominado Morohaitawa, onde são formados novos xamãs. Coletam o mel e açaí para um pequeno comércio em Tucuruí e criam poucas cabeças de gados para o consumo. Gostam muito de jogar o futebol com os times da região.

BAKAIRI (MT)

Sua população é de aproximadamente mil pessoas. Povo que habita as terras indígenas Santana e Bakairi, nos municípios de Nobres e Paranatinga, no estado do Mato Grosso. A língua falada é o Bakairi, pertence à família Karib. Se autodenominam Kurá, o que quer dizer “gente, ser humano”. Praticam seus rituais sagrados como o Kápa, Kwamby, Âriko e a Festa do Yamurikumã, cujas lutas corporais femininas e masculinas estão inseridas, o Tâdâwinpadyly, entre outros rituais em que os pajés coordenam. Possuem grande força física e se destacam na modalidade Cabo de Guerra. Praticam também a luta corporal Huka-Huka, que se inicia com os atletas ajoelhados e aonde não há figura do juiz, sim a do “dono da luta”. Esse é um “homem-chefe” que caminha até o centro da arena onde a luta será realizada e chama os lutadores pelo nome. Estes se ajoelham girando em circulo anti-horário, de frente ao oponente, até se entreolharem e se agarrarem, tentando levantar o adversário e derrubá-lo ao chão. Os Bakairi destacam-se também pelas suas pinturas corporais e cantos tradicionais.

BORORO BOE (MT)

Os Bororo Oriental ou Orarimogodógue também são conhecidos como Coroados ou Parudos. Habitam a região do planalto central do Mato Grosso, distribuídos em cincos terras indígenas já demarcadas: Jarudore, Meruri, Tadarimana, Tereza Cristina e Perigara. Sua língua falada é o Bororo, do tronco lingüístico Macro-Jê, e a sua população é de aproximadamente duas mil pessoas. Praticam rituais como a Festa do Milho, Furação de Orelha e Lábios e o Ritual do Funeral. Tradicionais caçadores e coletores, os Bororo Boe adaptaram-se à agricultura da qual hoje extraem sua subsistência. Destacam-se na confecção de seus artesanatos plumários (cocar e braçadeiras em penas), bem como na pintura corporal em argila, peculiar a esse grupo. Foram os primeiros campeões gerais dos I Jogos dos Povos Indígenas, realizado na cidade de Goiânia em 1996. Um grande líder desse povo foi o ancião Frederico Tugore, mestre da cultura Bororo, que teve a oportunidade de percorrer e conviver com todas as comunidades (aldeias) Bororo existentes e com outras que já desapareceram na metade do século passado. Era capaz de explicar todos os fenômenos do universo cósmico e espiritual que envolvem e penetram a vida de seu povo. Ele deixou um grande legado e uma preciosa coleção cultural alicerçado no Bakaru, uma espécie de código religioso, de comportamento, de normas educativas e que contém explicações de fenômenos e mistérios. Um outro grande defensor do povo Bororo foi o Padre Salesiano Rodolfo Lunkenbein, barbaramente assassinado em 15 de julho de 1976 por defender a demarcação das terras indígenas do Merure. O padre foi enterrado no cemitério da própria aldeia, de acordo com a tradição e honra Bororo.

ENAWENE-NAWE (MT)

Falam a língua salumã, pertencente à família lingüística Aruak e poucos falam o portugues. Habitam a Terra Indígena Enawene-Nawe, totalmente regularizada, uma região de vegetação variada, com cerrado e floresta tropical localizada no vale do afluente rio Juruena, a noroeste de Mato Grosso, município de Juína, Comodoro e Campo Novo dos Parecis – MT. Vivem neste território em uma única aldeia, próxima ao rio Iquê, porém os rituais e cerimoniais culturais ocupam outros pontos de sua terra. Os Enawenê Nawê se dividem em nove clãs distribuídos em nove hakolo (malocas) que, além de corresponderem à unidade de troca matrimonial, desempenham funções econômicas e rituais. Além dessa divisão em clãs, compreendem-se, socialmente, em três grupos: o residencial, o doméstico e o familiar. Eles que são responsáveis pela construção, restauração e manutenção dos hakolo (malocas). Nelas, os Enawenê Nawê se organizam em grupos domésticos, constituídos da união de grupos familiares. Como na maioria dos grupos indígenas, os homens, uma vez casados, passam a morar na casa dos seus sogros. Cada maloca mede 30 metros de comprimento por 6 de largura. A altura pode chegar a até 5 metros. Assim, é formado o grupo residencial doméstico, que tem seu próprio fogo, sua própria roça e coleta de frutos silvestres. Tradicionalmente, o peixe é a principal base protéica de sua alimentação e é recolhido em grandes pescarias coletivas. Outra opção de comida é a mandioca. Acreditam que a raiz seja ligada ao espírito aos espíritos Yakairiti. São plantadas em roças coletivas e homenageadas com o ritual Lerohi no mês de agosto, onde é feito o beijú e uma bebida fermentada. O milho também é cultivado, mas sempre em mata ciliares, que está relacionada ao espírito dos céus, o Enore. É consumido em forma de mingaus, bolos e sopas. Atualmente vivem em constante risco de contraírem doenças, porque suas águas estão sendo poluídas por invasões freqüentes de garimpeiros. Esse povo tem consciência dos limites de sua terra, que lhes é sagrada, e da necessidade de defendê-la. Sua população é de aproximadamente 330 pessoas. Eles participam do X Jogos dos Povos Indígenas com sua modalidade esportiva com bola de látex, jogada apenas com a cabeça, o Xikunahity.

GAVIÃO KYIKATÊJE / PARKATÊJE (PA)

Os Gaviões falam um dialeto da língua Timbira Oriental, pertencente à família Jê. Eles se dividem em três subgrupos: o primeiro são os Parkatêje, que significa "povo da jusante", em contraposição ao segundo grupo situado à montante, denominado Kyikatêje, ou "povo dono do rio acima". O terceiro da mesma família são os Akrãtikatêje, "povo da montanha", que se localizava à margem direita do Rio Tocantins, próximo à cidade de Tucuruí, cujo local foi inundado com a construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Atualmente todos estão reunidos na terra Indígena de Mãe Maria, município da cidade de Marabá, médio Tocantins, no Pará. Há também os que habitam o estado do Maranhão. São grandes atletas, hábeis futebolistas, sabem manejar o arco e flecha com muita destreza. Praticam o seu esporte como a Corrida de Tora e as lutas corporais. Vivem da caça, coleta, além da agricultura e criação de gado e aves. Há o ensino bilíngüe nas escolas de sua aldeia.

JAVAÉ (TO)

É um subgrupo dos Karajá. Os Javaé se autodenominam Inÿ, que significa “nós, a gente”, ou Itya Mahãdu, que quer dizer “gente do meio”. Pertencem ao tronco lingüístico Macro-Jê, e uma de suas características peculiares são fonemas específicos falados de acordo com o gênero (homem e mulher) e a faixa etária (adultos e crianças) do indivíduo. Habitam a região do Formoso do Araguaia na Ilha do Bananal, estado do Tocantins. Sua população é de aproximadamente 900 indígenas. A história dos Javaé é repleta de conflitos e guerras com seus inimigos tradicionais Xavante e Kayapó. Entretanto, as guerras cessaram nos dias atuais. São hábeis na confecção de cestas, cerâmicas e das belíssimas plumagens e pinturas corporais.

KAIGANG (PR)

Constituem-se numa população de aproximadamente 28 mil pessoas, espalhadas em 25 terras indígenas. Ocupam a área Tietê Uruguay e se subdividem em Kaingang de São Paulo, Meridional (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) e Xocleng (Santa Catarina). Os Kaingang resistem culturalmente preservando sua língua do tronco Macro-Jê. Praticam o ritual dos mortos Kiri e vivem da agricultura. Em janeiro de 1981, um dos grandes líderes Kaingang, Angelo Kretã, foi assassinado enquanto defendia as terras de seu povo.

KA'APOR (MA)

Os Ka'apor surgiram como povo distinto há cerca de 300 anos, provavelmente na região entre os rios Tocantins e Xingu. Os primeiros contatos com os não-índios foram no início do século XX, através do SPI - Serviço de Proteção ao Índio. Habitam a Terra Indígena Alto Turiaçu, junto aos Rios Pindaré e Gurupi, entre os estados do Maranhão e Pará. Alguns invasores que atacaram e aniquilaram aldeias Ka'apor, por volta de 1900, ficaram surpresos ao descobrirem esplêndidos cocares de penas coloridas dentro de pequenos baús de cedro que os sobreviventes, em fuga, teriam deixado para trás. O Iurá, que morreu no Rio Pindaré após várias tentativas de manter contatos pacíficos com os não-índios da região e ter sido humilhado e maltratado junto com a esposa e filhos, pertenceu a esse povo. Tal história é muito bem retratada pelo historiador e antropólogo Darcy Ribeiro e sua esposa Berta Ribeiro. Ele também identificou o idioma dos Ka'apor como sendo um dialeto tupi do grupo Hê, o que os aproximam dos Tenetehara, Amanayé, Tuniwara, Anambé e Oiampi. Outros nomes pelos quais são conhecidos são Urubu, Kambõ, Urubu-Caápor, Urubu-Kaápor, Kaapor. A palavra Ka'apor signifca "pegadas na mata" ou "pegadas da mata". Outro significado aventado é o de "moradores da mata". Uma pessoa Ka'apor pode ser identificada na língua como awá, que se refere à forma reflexiva ("alguém") e ao sujeito, enquanto pessoa, em sentenças interrogativas ("quem?"); Kambõ parece ter sido assimilado do português "caboclo", um termo aplicado aos Ka'apor pela maioria dos habitantes da região ultimamente. Sua provável origem é da Amazônia e é freqüentemente usado pelos que falam a língua Ka'apor numa auto-referência em conversas com terceiros. A população Ka'apor atual é de proximadamente 850 pessoas. Participam também como co-anfitriões dos X JPI.

KAMAYURÁ (MT)

De possível origem Aruak, os termos kama e yula associados significam “mortos no jirau”, sendo genericamente aplicados pelos povos falantes dessa língua aos vários contingentes tupi que migraram rumo à bacia dos formadores do rio Xingu. Jamais se afastaram de sua área de ocupação, na região de confluência dos rios Culuene e Culiseu, próxima à grande lagoa Ipavu, que significa, na língua deste povo, “água grande”. Hoje em dia, a aldeia dos Kamayurá se localiza a cerca de dez quilômetros do rio Culuene, à sua direita.  Suas habitações são
confeccionada pelos homens. A casa constitui um local de maia escuridão e privacidade, sendo ao mesmo tempo um lugar aberto, de domínio das mulheres e crianças. A aldeia Kamayurá segue o modelo alto-xinguano, com casas de sapê, com teto arrendado até o chão, dispostas circularmente.
As principais atividades econômicas dos Kamayurá são a agricultura (mandioca) e a pesca. A agricultura é de colvara. Aos homens cabe a queima e a limpeza do terreno e, às mulheres, o plantio e a colheita. Pescar é responsabilidade masculina, sendo usadas as formas tradicionais (como timbó, o arco e a flecha) e aquelas introduzidas pelos “brancos” (como o anzol, a linha e a rede).
Os Kamayurá e as demais etnias indígenas que convivem no Parque Indígena do Xingu participam de diversos rituais intergrupais, entre os quais o Kuarup (festa dos mortos), em que os mortos são representados por troncos, fincados no pátio da aldeia anfitriã da festa. Nos dias do Kuarup, interdições são levantadas e permissões outorgadas: quem quiser pode se casar, a moça reclusa pode ser liberta, o luto dos parentes vai terminar e o status definitivo será afirmado àqueles cujo falecimento se vai honrar. Próximo ao final da festa, realiza-se a luta corporal conhecida como “huka-huka”. Na aldeia, só falam a língua, usando o português para se comunicar com grupos que não são da mesma família e com não-índios. Possuem uma escola onde todos se encontram para aprender sobre tradição.

KANELA RÃMKOKAMEKRA (MA)

Somam-se em aproximadamente 1.200 pessoas e habitam a região de Barra do Corda, no Maranhão. Eles se autodenominam Apâniekra ou Rramkókamekra, seu tronco lingüístico é Macro-Jê e a família Timbira. O grupo possui uma cultura preservada, o que manteve regulado o relacionamento do indivíduo com natureza e com sua sociedade. Uma tradição Kanela é a Corrida de Toras, em que participam homens e mulheres, considerados muitos velozes. As toras para homens pesam mais de 100kg, e a de mulheres, 80kg. Há a informação de que a Corrida de Tora surgiu como forma de treinar os Kanela para eventuais fugas durante perseguições em suas aldeias. Os registros históricos sobre este grupo datam de 1855 e dois grandes fatos marcaram suas vidas. Em 1931, um fazendeiro instalou seu rebanho na área e afugentou a caça local. Iludindo os indígenas, ofereceu-lhes uma festa em que foram embriagados e massacrados. Outro fato ocorreu em 1963, tendo um líder messiânico feito os Kanela acreditarem que haveria uma “transformação”: os brancos virariam indígenas e, estes se tornariam brancos. Na ocasião, seis deles morreram pela ação de fazendeiros.

KARAJÁ (TO)

Habitam a Ilha do Bananal, no Parque Indígena do Araguaia, em Tocantins. O grupo tem origem lingüística Macro-Jê e possui íntima relação com o Rio Araguaia, fonte de sua subsistência. Segundo o mito de criação do povo Karajá, os indígenas que deram origem ao grupo saíram do fundo do rio e ocuparam as terras perto das margens. O contato com a população branca se intensificou nos séculos XVI e XVII com a exploração de ouro e a expansão pecuária na região, ocasionando perdas culturais e mortes. Ainda guardam muito de suas tradições culturais, demonstradas em seus cantos, principalmente na Festa do Hetohoky, “Casa Grande”. Nessa festa também estão inseridas as danças e lutas corporais Ijesu, onde sobretudo os homens jovens usam a oportunidade para demonstrar força e coragem. Outra festa é a do Aruanã, em homenagem ao peixe da região, que eles crêem proteger a todos os Karajá. Seus artesanatos Aõrity e os adornos Isiywidyna são considerados bastante ricos. Destacam-se também pelas suas plumagens, cestarias e cerâmicas. Os Karajá do Tocantins possuem um estilo diferenciado de luta. Os atletas iniciam a disputa em pé, se agarrando pela cintura, até que um consiga derrubar o outro ao chão. Logo o vencedor abre os braços e dança em volta do oponente, cantando e imitando uma ave.

KAYAPÓ (PA)

É um povo bastante numeroso e estima-se que existam aproximadamente 5 mil representantes. Autodenominam-se Mebêngôkre, “Gente do Buraco do Rio”. Habitam as terras indígenas Kayapó, Baú, Mekrkãgnoti, Bejenkôre, no estado do Pará, e Kapoto/Jarina, estado de Mato Grosso e parte do Pará. Os Kayapó atuais descendem de um grande grupo indígena denominado Goroti-Kumrem, que se dividiu em dois blocos. De um lado os Kayapó-Gorotire, e do outro os Kokorekre (que já desapareceram), os Menkrãgnoti, Metutktire ou Txukarramãe, Ô-Ukre, Paka-nú, Kubenkrãkein, Kôkraimore, Krikretum, Kararaô e os Pore-Kru (que deram origem aos Xikrin). A parte oriental do povo foi contatada por volta de 1940, e a parte ocidental na década de 50, pelos irmãos Villas Boas. Viviam em guerra com vizinhos, como os Karajá, Juruna, Xavante, Tapirapé e Panará (mais conhecidos como Kren-Akarore). Hoje não guerreiam mais, porém protegem com muito rigor suas terras. Conhecidos por sua bravura mantêm sua cultura tradicional e são exímios artesãos, tendo a borduna como um símbolo das armas de caça e guerra. As aldeias têm as casas dispostas em formato circular com uma grande praça ao centro, onde realizam seus rituais. Outro aspecto de sua cultura é a pintura corporal, desenhada pelas mulheres, repleta de linhas geométricas. A língua falada é o Kayapó, do tronco lingüístico Macro-Jê, no qual possuí 17 vogais e 16 consoantes, com padrão distinto de entoação e vogal prolongada para dar ênfase. No caso dos Menkrãgnoti, o dialeto é o Menkrãgnoti. Preservam muito de suas tradições culturais, expressas nos seus cantos e pinturas corporais, com uma vasta riqueza na variação de seus adornos (cocares, braceletes) e ornamentos. Cultivam a plantação mandioca, milho, batatas e outros. Os Kayapó já comercializam a castanha-do-pará e alguns passaram a vender a madeira de lei como o mogno e o cedro. Em todas as aldeias já há escolas e o ensino bilíngüe.

KRAHÔ (TO)

Pertencem ao tronco lingüístico Macro-Jê e são do ramo dos Timbira. Sua população é de aproximadamente 1.500 pessoas. Habitam a terra indígena Kraolândia, município de Itacajá e Goiatins, no estado de Tocantins. Suas aldeias são construídas no cerrado em forma circulares, com um pátio no centro, ligados por caminhos radiais a cada casa. Usam as pinturas corporais, praticam suas danças, cantos e esportes tradicionais como a Corrida de Tora (Wakmeti), realizada por homens e mulheres. Em 1940, um massacre resultou na morte de vários Krahô. O episódio desencadeou entre o povo um abandono de seus hábitos e costumes; perderam suas sementes milenares e abandonaram o cultivo de roças familiares, o que resultou em grande miséria. Através da implantação de um projeto social em 1995, eles conseguiram melhorar a situação da comunidade através do resgate de sementes e antigas técnicas agrícolas, recuperando variedades de espécies antigas como fava, inhame, gengibre. Os Krahô realizam a corrida com duas toras de peso e tamanho similares, ao amanhecer e ao entardecer. Pela manhã, a corrida tem sentido de ginástica, preparação do corpo. Corre-se apenas com toras, ao redor das casas, em sentido anti-horário. De acordo com a tradição Krahô, o ponto de largada e chegada da corrida é o pátio de uma das casas, a Woto, uma casa preparada para todas as atividades culturais, sociais e políticas. Ao entardecer, corre-se de fora para dentro das aldeias. Em outros povos a corrida com toras acontece nos rituais, festas e brincadeiras. Nesses casos, as toras podem representar símbolos mágico-religiosos. Durante o ritual do Porkahok, que simboliza o final do período de luto, as toras representam o espírito do falecido.

KUIKURO (MT)

Sua população é de aproximadamente 510 pessoas e pertencem a família lingüística Karib. Habitam o Parque Nacional do Xingu, em três aldeias no chamado Alto Xingu, possuindo a maior população indígena do parque. Suas habitações obedecem à engenharia e arquitetura tradicional. Vivem da agricultura e são hábeis na tecelagem de suas redes, cerâmicas, objetos de madeiras e plumagens, cujos padrões transparecem na formas peculiares de suas pinturas corporais. São exímios no uso da flecha para a pesca. Praticam todos os elementos culturais tradicionais como o Kuarup e o Yamarikumã. São grandes lutadores do Huka-Huka e praticam o Katulaya – espécie de futebol jogado apenas com o joelho.

MANOKI IRANTXE (MT)

Conhecido como Irantxe ou Iranxe; subgrupo Myky, Münkü, Menki, , pertece a grupo linguistico considerdado isoladas. Habitam o extremo norte do est ado de Mato Grosso. Sua história é marcada tristemente pela dizimação em decorrência de conflitos e doenças dos contatos forçados com os não índios, a partir de 1900 quando seringueiros, promoveram um massacre da população em uma aldeia Manoki., muitos sobreviveram em missão jesuíta Hoje através da participação nos jogos, buscam resgatar sua cultura e sua forma tradicional na prática de seu esporte originais. Se destaca pelos uso de enfeitos nasal, ornamentos e pinturas corporais.

MATIS (AM)

A língua é da família Pano. Autodenominam-se Matsé, quer dizer “gente”. Poucos falam o português pois não possuem contato permanente com não-indígenas. Sua população, de acordo com o último levantamento realizado no final de 1999 e começo de 2000, totalizam aproximadamente 240 indivíduos. São caçadores e agricultores, habitam malocas na região do rio Ituí, Vale do Javari, fronteira com o Peru, no estado do Amazonas. Usam o arco, chamado de Pia, e flecha, Taua, para a caça, além da zarabatana Tenite. Os primeiros contatos com o homem branco ocorreram em dezembro de 1976 e no início de 1977. A ocupação extrativista naquela região, por volta de 1910 e 1980, também causou um grande impacto sobre esse povo. São conhecidos como “cara de onça”, devido ao seu ornamento facial, como orifícios entre as paredes medianas do nariz e tatuagens. Sua cultura traz uma série de proibições alimentares, como as carnes de paca, tatu e capivara, que se consumidas, podem deixar a pessoa preguiçosa ou enfraquecida.

PARECI HALITI (MT)

Vivem na terra indígena Paresi, um território de matas, campos e cerrados, no município de Tangará da Serra, no Mato Grosso. Sua população está estimada em 1.300 pessoas, dividas em três subgrupos: Os Kaxíniti na parte oriental, os Waimaré na parte central e os Kozarini na parte ocidental. Falam a língua Pareci, do tronco lingüístico Aruak, e se autodenominam Haliti, que quer dizer "gente, seres humanos". O primeiro contato com os não-indígenas ocorreu no período colonial, quando os bandeirantes adentraram os sertões em busca de ouro e escravos indígenas para os canaviais. Serviram como guias nos seringais da Comissão Rondon e sofreram com a abertura da BR 364, que atravessa seu território. A rodovia trouxe doenças e grandes perdas de suas terras, cultura e valores étnicos, os quais tentam, ainda hoje, assegurar e preservar.

PATAXÓ (BA)

Vivem na região interna à faixa litorânea dos estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. Sofreram muito com o contato imposto pelos portugueses, pois foram perseguidos e proibidos de falar a própria língua e de praticar rituais religiosos e culturais. Com esse fato, perderam muito de sua cultura tradicional. Algumas pessoas ainda falam a língua, que pertence ao tronco Macro-Jê, e praticam a dança tradicional chamada Toré. Os Pataxó lutam pela recuperação de sua terras, pelo resgate de sua identidade e reconhecimento como um povo indígena. Um de seus líderes, Galdino Jesus dos Santos, morreu queimado na madrugada do dia 20 de abril de 1997, em um ponto de ônibus de Brasília. Ele veio à Capital lutar pela recuperação das terras do seu povo, que estavam sendo invadidas por fazendeiros. Seus assassinos eram jovens de classe alta da cidade, que de maneira desumana tentaram justificar o ato por não saberem que se tratava de um indígena, pois imaginaram ser um mendigo. O fato foi abordado pela imprensa causou enorme indignação na população brasileira, indígena e não-indígena.

RIKBAKSTA (MT)

Sua língua pertence ao tronco Macro-Jê e seu nome significa "os seres humanos": rik = pessoa, gente, humano; ba = reforço, tsa = os. Também conhecidos como "canoeiros", são hábeis remadores e nadadores. Habitam as terras indígenas Escondido, Japuíra e Erikbatsa, no norte do Mato Grosso. No final dos anos 40, resistiram bravamente à frente extrativista da borracha. Sua pacificação ocorreu em 1956, pelo Padre João Dornstauder, da Missão Anchieta. Mantêm muitos de seus costumes e ritos, se destacando bastante pelo o adorno em suas orelhas e a beleza de suas plumagens. Sofreram muito com as epidemias de gripe e sarampo, que dizimaram 75% da população, hoje estimada em aproximadamente 1.205 indígenas.

SHANENAWÁ (AC)

Pertencentes da família lingüística Pano, Shanenawá significa "povo do pássaro azul". Se organizam em famílias nucleares onde os filhos fazem parte do clã da mãe e só podem casar com pessoas do mesmo clã. Se identificam através de vários clãs: Waninawa (povo da pupunha), Varinawá (povo do sol), Kamanawa (povo da onça), Satanawa (povo da ariranha) e Maninawa (povo do céu). Sua economia é de subsistência, onde cultivam mandioca, milho, banana e arroz, além da pesca e vendas de artesanatos. Habitam a Terra Indígena Katukina-Kaxinawá, município de Feijó, estado do Acre, onde também vivem os Kaxinawá. Sua população é de cerca de 458 indígenas.

TAPIRAPÉ (MT)

A população atual é de 500 pessoas e se distribuem em 5 aldeias (Majtyritawa, Tapi’itawa, Akara’ytawa, Xapi’ikeatawa e Wiriaotawa). Vivem próximo ao rio Tapirapé e foz do Rio Araguaia, no estado do Mato Grosso. Falam a língua Tapirapé, do tronco lingüístico Tupi-Guarani. O primeiro contato com os não-indígenas aconteceu em 1935. Alimentam-se de caça, pesca e pequenas lavouras. Destacam-se em seu artesanato a arte plumária.

 TERENA (MS)

Autodenominam-se Chané, habitam o Pantanal Sul mato-grossense e somam hoje cerca de 20 mil pessoas, entre os que vivem nas aldeias e nas cidades. Há um grupo desse povo que foi transferido na década de 30 para o estado de São Paulo e habitam a área dos Nhandéva (Guarani), próximo a cidade de Bauru, no atual Município de Avaí, Terra Indígena Araribá. Os primeiros contatos com não-indígenas foram através do Marechal Rondon, em 1910, com a implantação da rede telegráfica na região pantaneira. Neste momento os Terena tiveram presença marcante como trabalhadores. Muitos jovens participaram da Guerra do Paraguai. Conhecidos pelo seu nível de adaptação com outras culturas, são considerados politizados e participam de cargos políticos em alguns municípios. Trabalham com agricultura hábeis, pois embora possuam poucas terras, sabem aproveitar bem o espaço. Os Terena procuram preservar sempre seus valores étnicos e culturais. Dentre as expressões de destaque se figura a Dança da Ema, Kohixóti Kipahí, onde somente os homens participam, bem como o Siputrena, de mulheres unicamente. Ainda fabricam suas cerâmicas e em seu mito há a história do Yurikovuvakái, um herói civilizador que tirou os Terena do fundo da terra e lhes deu o fogo, bem como todo o instrumento para sobreviver na superfície.

 TEMBÉ (PA)

Pertencem à família lingüística tupi-guarani. Constituem o ramo ocidental dos Tenetehara, palavra que significa gente. O grupo oriental é conhecido por Guajajara. O nome Tembé ou Timbé foi atribuído pelos não índios da região. De acordo com o lingüista Max Boudin, timbeb significaria "nariz chato". Já estão em contato com a população envolvente desde o século XIX. Habitam as aldeias Sede e São Pedro, próximo ao Rio Guamá, nas Terras Indígenas Turé-Mariquita e Tembé no Pará. Grande parte de sua área foi invadida no passado por frentes de colonização e são poucos os que hoje falam algumas palavras do idioma tenetehara. Atualmente, estão mobilizados para recuperar suas terras. O segundo bloco permaneceu às margens do Rio Gurupi e é mais conhecido pela sua aldeia maior, denominada Tekohaw. Estes Tembé mantêm suas tradições culturais e a língua ainda é falada nas aldeias. Em sua festa religiosa incorporam os dias santos e o batizado cristãos, mas não o cristianismo como sistema religioso. Em sua mitologia, Maíra é o principal herói cultural e o ciclo mítico da criação é o mesmo de vários outros povos Tupi-Guarani. O pajé, a figura intermediária entre os humanos e os sobrenaturais, chama e domestica os espíritos com seus charutos de meio metro (tawari), cantos e maracás. Remédios feitos de plantas, penas, ossos ou pêlos, são aplicados pelas mulheres nos transgressores de regras alimentares.
Os ritos de puberdade constituem uma boa ocasião para a revelação de novos pajés Os Tembé guardam o Wiraohavo, o rito de puberdade de rapazes e moças, que fazia parte da festa do milho, e é também conhecido como festa do moqueado. Eles fazem também o Wiraohavo-i (em que o i indica o diminutivo), que é o mesmo rito com menor duração e mais simplificado, destinado a evitar que a criança adoeça com a introdução de carne na sua dieta. Participarão como anfitriões dos X JPI.

UMUTINA (MT)

Sua população é de aproximadamente 420 indígenas. O nome original deste povo é Balatiponé e sua aldeia está localizada no município de Barra do Bugre (MT). Esta área é também habitada pelos Bakairi, Paresi, Terena, Bororo, Manoki, Kaiabi e Nhambikwara. Pertencente ao tronco lingüístico Macro-Jê, são poucos os falante da língua nativa, embora tenham passado por um processo de recuperação e revitalização de suas tradições culturais. Estas tradições quase desapareceram, como as danças Katamã e Gikirino, as flautas e pinturas corporais. Vivem da caça, pesca e agricultura para consumo próprio, além do artesanato tradicional

XAVANTE (MT)

A população Xavante é de aproximadamente 7.l00 pessoas. Os primeiros contatos com não-indígenas se intensificam a partir do fim da década de 40. Falam a língua A'uwem, do tronco lingüístico Macro-Jê. Tradicionalmente eram semi-nômades, pois viviam em suas aldeias apenas poucos meses por ano e depois percorriam o seu território em grandes grupos, fazendo expedições de caça, pesca e coleta. Os Xavante são oriundos da Serra do Roncador em Mato Grosso e habitam seis reservas já demarcadas. A área é dotada de espessa rede hidrográfica formada pelas bacias dos afluentes do Kuluene-Xingu e do Rio das Mortes-Araguaia. A região é de floresta tropical, mato e savana com árvores baixas e altas, de onde os indígenas retiram o alimento e materiais para fazer artesanatos, armas, instrumentos musicais. Suas ocas que são dispostas em forma circular e se alimentam de caças, frutos, palmeiras e pescados. Muito de sua organização social e cultural permanece ainda intacta, como danças, cantos, pinturas corporais e outras cerimônias coletivas como o Daporedzapu (Furação de Orelha). Fisicamente os Xavante são fortes, destacando-se com seus esportes tradicionais, como o Oi’ó, espécie de luta com um bastão (raiz) entre as crianças, e Uiwede Wapraba (Corrida de Tora de Buriti), com toras de aproximadamente cem quilos. Outro destaque é o Datsiy Wamhori Wa´i, as lutas corporais. São também hábeis futebolistas e corredores. Sua postura imprime um efeito visual de rara beleza, especialmente quando executam suas danças, cânticos, corridas de tora e outras cerimônias coletivas. O primeiro deputado indígena brasileiro, Mário Juruna, pertence a esse povo.

XERENTE (TO)

Do tronco lingüístico Macro-Jê, os 2.261 Xerente moram em 34 aldeias na terra indígena Xerente, município de Tocantinia, em Tocantins. Apesar de terem contato com o não-indígena já há muitos anos, este povo procura manter sua organização social e política, em que são distribuídas em três clãs principais. Vivem da agricultura de roça de toco, coivara e de vazante em que plantam a mandioca, milho e batata doce. Praticam o ritual da dança da Tora, do Tamanduá e da festa anual de batismo das crianças para colocar os nomes. Praticam também o Inssitró, que é a corrida em que dois atletas carregam uma tora de maior peso e tamanho.

XIKRIN (PA)

Falam exclusivamente a língua Kayapó. Em 1926 os Xikrin se transferiram da região dos rios Araguaia e Paraopebas para a região do Rio Bacajá, estado do Pará. Em razão de conflitos internos, eles se dividiram. Uma parte retornou à região anterior e a outra se estabelece próximo ao Rio Cateté, dando origem ao grupo Xinkrin do Cateté e os do Bacajá. As aldeias têm as casas dispostas em forma de círculo e se reúnem à noite no centro para conversar. São guerreiros e tiveram vários conflitos com outras tribos, os Parakanã e os Assurini. Tem muita habilidade no uso do arco e flecha e da borduna, que também usam para caça. Também são agricultores e as suas roças, em geral, são circulares. Pescam com o uso do timbó e a flecha. Destacam-se pelo uso de cabelos compridos, raspando-os ao centro da cabeça. Confeccionam uma das plumagens mais bonitas e se destacam por seus cantos e danças. Na escola das aldeias há o ensino bilíngüe.

XOKLENG (SC)

Sua população é de aproximadamente de 850 pessoas. Falam a língua da família Macro-Jê e são conhecidos como Botocudos, em conseqüência do antigo costume dos homens usarem o botoque labial, denominado Tembetá. Originalmente, são formados por dois grupos: Waikomang e os Kañre. Atualmente habitam a Reserva Indígena de Ibirama, município de José Boiteus em Santa Catarina e vivem da agricultura. Entretanto, os Xokleng eram nômades, viviam da caça e da coleta e habitavam todo o vale litorâneo, as bordas do planalto no sul e a Mata Atlântica. No inicio do século XVIII, havia um projeto para ligar o estado do Rio Grande do Sul a São Paulo e implantar o comércio entre as duas regiões, habitadas tradicionalmente pelos povos Kaingang e Xokleng, iniciando assim sua expulsão para Santa Catarina.

 WAIWAI (PA)

Povo da língua Karib, os Wai-Wai habitam o noroeste do Pará, às margens do rio Mapuera. Historicamente, se deslocaram para a Guiana Inglesa no início do século, retornando em por volta de 1970 à região dos rios Mapuera, Trombetas e Cachorro, na terra indígena Nhamundá-Mapuera (PA). Trata-se de uma área de difícil acesso onde também vivem os povos Katuena, Hixkariana, Mawaiana, Xeréu, Tiriyó, Wayana, Apalaí, Wapxana, Kaxuyana, Tunayna e Xikyana. Se dividem em cinco aldeias, onde a maior é Mapuera, com aproximadamente 1270 pessoas. Vivem da caça, da agricultura, da coleta e da pesca. São exímios artesãos, confeccionando colares, pulseiras, bancos de madeiras.

YAUANAUWÁ (AC)

Os Yawanawa (yawa/queixada; nawa/gente) são um grupo pertencente à família lingüística pano que ocupa atualmente a T.I. Rio Gregório. "Yawanawa" aparece nas fontes escritas de formas diversas: Yawavo ou Yauavo, Jawanaua, Yawanaua, Iawanawa. A grafia "Yawanawa" que nós utilizamos é a que aparece nas cartilhas e outros documentos de autoria indígena. A comunidade Yawanawa é na realidade um conjunto que inclui membros de outros grupos: Shawanawa (Arara), Iskunawa (atualmente conhecidos como Shanênawa, moram em uma aldeia próxima à cidade de Feijó), Rununawa, Sainawa (conhecidos geralmente como Jaminawa e que moram na região do Bagé), e Katukina. Esta configuração é o resultado de uma dinâmica sociológica própria de muitos grupos pano — alianças através de casamentos, raptos de mulheres no contexto de conflitos bélicos, migrações de famílias — e uma série de contingências históricas, especialmente as mudanças ocorridas a partir da chegada do homem branco — epidemias, alterações demográficas... Por meio destes processos foram se incorporando pessoas de outros povos que mantiveram relações com os Yawanawa no passado.
Segundo o censo realizado pelos próprios Yawanawa em 1997, a população total é de 450 pessoas aproximadamente, sendo que por volta de 30 habitam nas cidades próximas de Tarauacá, Cruzeiro do Sul, Feijó e Rio Branco, ou em outras aldeias indígenas como a dos Shanênawa de Feijó ou a dos Kaxinawa da aldeia do Caucho. Graças à implantação de um posto de saúde na aldeia nos primeiros anos da década de 90, e à formação pela FUNAI e o CPI/Acre de vários agentes de saúde indígenas a partir de 1988, o impacto de doenças como a malária, a pneumonia, a coqueluche e o sarampo foi reduzido consideravelmente. Desde 1992, ano em que mudaram definitivamente para a nova aldeia (Nova Esperança), apenas alguns recém-nascidos e um jovem de 22 anos morreram de doença, este último vítima de uma epidemia que assolou, entre outubro e novembro de 1998, a cidade de Tarauacá e várias aldeias indígenas do Acre, e que apresentava os mesmos sintomas do cólera. Esta melhora nas condições de saúde possibilitou um notável crescimento da população, com uma natalidade alta — entre 25 e 30 nascimentos por ano — e uma queda importante da taxa de mortalidade infantil: apenas morreu um recém-nascido em seis meses, o que contrasta com os depoimentos de várias mulheres que enfatizavam o elevado número de mortes infantis antes da implantação do posto de saúde.
O conhecimento das artes — cerâmica, desenhos, armas de madeira, cestaria — fica nas mãos de poucas pessoas, fundamentalmente as mais velhas, se bem que existe um esforço recente por transmitir estes saberes às novas gerações. Destaca-se a diversidade dos desenhos corporais, muito utilizados na festa do mariri (saiti), que são feitos com urucum e/ou jenipapo, utilizando-se às vezes uma resina cheirosa para fixá-los à pele. Saias de palha de buriti, cocares de taboca desenhados e braceletes de palha são também utilizados como enfeites durante as festas rituais. Algumas pessoas ainda fabricam armas (lanças, arcos, bordunas, flechas e punhais utilizados tradicionalmente na guerra) feitas com taboca e madeira de pupunheira brava, e enfeitadas com desenhos, linha de algodão e penas de arara, tucano e papagaio fundamentalmente. Enquanto o trabalho de armas é uma prática exclusivamente masculina, o desenho é uma atividade vinculada à esfera feminina, da mesma forma que a cerâmica e a cestaria.