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Informações - Entidades


Detalhes de Entidade
Nome da Entidade: Confederação Brasileira de Remo
Responsável: Thomas de Souza Schwerdtner
Endereço: Avenida Borges de Medeiros, 1424 - Estádio de Remo da Lagoa
UF: RJ Cidade: Rio de Janeiro
CEP: 22470-003
Telefone 1: (21)2294-3342
Telefone 2: (21)2294-0225
Fax: (21)2294-0225
E-mail: cbr@cbr-remo.com.br
Site: http://www.cbr-remo.com.br

Histórico:

Sobre o Remo - História Ensina-nos a história que o remo desde os seus primórdios está repleto de episódios importantes em suas derivações,principalmente no comércio e na guerra foi de indiscutível relevância no tocante a sua utilidade. Um faraó egípcio conseguiu organizar uma frota de 400 navios movidos a remo, que era a sua esquadra daquela época. Issomais ou menos nos anos 2000a.C. Esporte náutico popularizado com denominação de remo para mais facilmente diferenciá-lo do iatismo. Em inglês chama-se rowing, no francês aviron e em alemão ruder. A canoagem é também uma forma esportiva a remo. Utilizado desde que o homem começou a locomover-se sobre a água, o barco a remo foi explorado como esporte na segunda metade do século XIX. Há notícias de competições que se realizaram muito antes daquele período, como em Veneza -Itália, no distante ano de 1315 e na Inglaterra em 1715. Foi neste último país que o remo se organizou pela primeira vez, inclusive através de clubes, de que é um exemplo o Leander Club (1817), o mais antigo de todo o mundo. Mas o esporte ganhou rumo definitivamente no ambiente universitário. As universidades de Cambrigde e Oxford adotaram-no e, em 1829, iniciaram a realização da tradicional regata que anualmente revive, no Rio Tâmisa, os primórdios do remo. Da Inglaterra, as regatas rapidamente se espalharam para diversos países da Europa, ganhando notável impulso. As embarcações, a princípio largos e pesados, foram aperfeiçoados dentro de uma técnica que permitiu a obtenção de resultados cada vez melhores, pela rapidez com que deslizavam na água. A evolução do esporte implicou na classificação das provas de acordo com o número de remadores, surgindo competições que variavam, como ainda hoje, de um (1) a oito (8) homens, com ou sem timoneiro (ou patrão) que é o tripulante encarregado de orientar o barco e os companheiros. Nas Américas, o remo alcançou igualmente notável desenvolvimento, principalmente nos Estados Unidos da América, onde se tornaram famosas as regatas Poughkeepsie e as que disputavam entre as Universidades de Harvard e Yale. O remo faz parte dos Jogos Olímpicos desde 1900. O esporte obedece à norma geral das organizações esportivas, sendo controlada, no âmbito mundial pela Fédération Internacionale des Sociétés d’Aviron - FISA, com sede na Suíça. Apenas 14 (quatorze) Estados do Brasil têm Federações de Remo, a saber: Amazonas (AM), Bahia (BA), Brasília (DF), Espírito Santo (ES), Paraíba (PB), Pará (PA), Paraná (PR), Pernambuco (PE), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Santa Catrina (SC), São Paulo (SP) e Sergipe (SE). Em julho de 1956, visitou o Brasil a guarnição de Universidade de Cambridge, exibindo-se vitoriosamente contra os principais barcos brasileiros. Essas Universidades voltaram a competir nos anos de 1990 (Rio de Janeiro e São Paulo), o Brasil venceu as duas competições e em 1992 (Rio de Janeiro e Vitória-ES) as universidades ganharam do Brasil. Em 1997, voltando a competir no Brasil, em Manaus, no Estado do Amazonas, foram vencidos pela equipe brasileira. Com a evolução dos tempos os barcos de regatas foram sendo construídos com outro tipo de material, sendo as mais modernas com fibra de carbono. O preço dos barcos é bem alto, estando o mais caro em torno de R$ 50.000,00. Na América do Sul, a Argentina e o Brasil disputam a hegemonia do remo, ambos quase no mesmo nível, havendo uma pequena vantagem para os argentinos. Nos campeonatos olímpicos nossos remadores tem apresentado um rendimento apenas discreto. A presença do elemento feminino foi assinalado em 1948. A entidade que controla o remo no Brasil é a Confederação Brasileira de Remo e tem como filiadas os estados: Amazonas (AM), Bahia (BA), Brasília (DF), Espírito Santo (ES), Paraíba (PB), Pará (PA), Paraná (PR), Pernambuco (PE), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP) e Sergipe (SE). A Confederação Brasileira de Remo foi fundada em 25/11/1977 e a sua sede é no Rio de Janeiro, estando localizada na Lagoa Rodrigo de Freitas, mas inicialmente o remo no Brasil era controlado pela Confederação Brasileira de Desportos. As principais regatas realizavam-se nas águas fronteiras da Praia de Botafogo, com uma assistência enorme. Na Lagoa Rodrigo de Freitas já houve regatas em que o público foi estimado em 50.000 pessoas. Os principais clubes de remo do Brasil são: Esporte Clube Vitória (BA); Clube de Natação e Regatas "Álvares Cabral e Clube de Regatas Saldanha da Gama (ES); Clube do Remo e Payssandú Sport Clube (PA); Clube Náutico Capibaribe e Sport Club do Recife (PE); Botafogo de Futebol e Regatas, Club de Regatas Vasco da Gama e Clube de Regatas do Flamengo (RJ); Sport Clube de Natal (RN); Clube de Regatas Guaíba Porto-Alegre - GPA e Grêmio Náutico União (RS); Clube Náutico América, Clube Náutico Francisco Martinelli, Clube Náutico Riachuelo e Clube de Regatas Aldo Luz (SC), Clube Esperia, Clube de Regatas Bandeirante e Sport Club Corinthians Paulista (SP). O remo brasileiro participa assiduamente do Campeonato Sul-Americano, cuja disputa se iniciou em 1948 no Uruguay. Já em 1954 o Brasil sagrou-se campeão. Até 1945 esse Campeonato não tinha cunho oficial, pois foi só neste ano que foi fundada a Confederação Sudamericana de Remo. O primeiro Presidente da Confederação Brasileira de Remo foi o Dr. Lon Teixeira de Menezes, eleito em 1977. HISTÓRIA DA CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE REMO DAS RAÍZES À FUNDAÇÃO por Wilson Reeberg AS PRIMEIRAS TENTATIVAS DE CONTROLAR O REMO A história da CBR tem suas raízes na criação de uma entidade para representar os clubes de remo do Rio de Janeiro. Aconteceu em 1895, quando o Club de Regatas Botafogo (F: 1894), a Union de Canotiers (F: 1892), e Club de Regatas Luiz Caldas (F: 1894), do Rio de Janeiro, e Grupo de Regatas Gragoatá (F: 1895) e Club de Regatas Icarahy (F: 1895), de Niterói, fundaram a União de Regatas Fluminense. Esta entidade começou a funcionar efetivamente em 31 de julho de 1897, graças ao esforço conjunto de Botafogo, Gragoatá, Icarahy, além do Club de Regatas do Flamengo (F: 1895), Grupo de Regatas Praia Vermelha (F: 1896) e Veteranos do Remo (F: 1894). Segundo Alberto de Mendonça (1) "o trabalho desse grêmio director concentrava-se todo em angariar o domínio completo de todas as sociedades de regatas, a fim de que dispersos não ficassem elementos de valia". A expressão "domínio completo", usada pelo autor, importante dirigente da época, era bastante significativa das intenções da entidade no sentido de controlar o remo. Em 2 de março de 1900, a União mudou seu nome para Conselho Superior de Regatas, em assembléia de que participaram Botafogo, Gragoatá, Icarahy, Flamengo, Club de Natação e Regatas (F: 1896),Club de Regatas Boqueirão do Passeio (F: 1897), Club de Regatas Vasco da Gama (F: 1898), Club de Regatas Guanabara (F: 1899) e Club de Regatas Cajuense (F: 1885). O Código do Conselho Superior de Regatas deixava claro o seu objetivo: "representar o sport náutico brasileiro, promover e auxiliar o seu engrandecimento, e organizar a defesa de seus interesses geraes". E para alcançar esse fim, "os effeitos do presente Código poderão estender-se aos clubes de regatas fundados nos Estados Brazileiros, desde que sejam aceitas integralmente todas as suas disposições" (2). Ao se auto-intitular representante do remo brasileiro, o Conselho deixava transparente sua intenção de controlar não somente o remo carioca, mas de todo o Brasil. "Esquecia-se", porém, de perguntar aos clubes de outros Estados, e até mesmo do Rio de Janeiro, se era isso que queriam. Ignorava, inclusive, a existência do Comitê de Regatas do Rio Grande do Sul, criado em 1894, portanto a primeira entidade do remo organizado do Brasil, anterior mesmo à fundação da própria União de Regatas Fluminense. Em 1902, o Conselho Superior de Regatas foi convidado a participar de uma regata internacional na Argentina, organizada pela Comision de la Regata Internacional del Tigre. Mas, a despeito de suas intenções de representar o remo brasileiro, não foi a única instituição brasileira a ser convidada, já que também o foi o Comitê de Regatas do Rio Grande do Sul. "Não por acaso, ainda em 1902, ocorreu mais uma mudança de nome: o Conselho passa a se chamar Federação Brazileira de Sociedades de Remo, o que deixava ainda mais claro o projeto de controle nacional, não só pelo termo "Brazileira", como pelo significado de "Federação": uma junção de clubes" (3). Embora uns poucos clubes de outros Estados a ela tenham aderido, a Federação nunca pode concretizar sua ambição de controlar o remo a nível nacional. Os clubes, em sua grande maioria, não tinham nenhum interesse em ser controlados por uma entidade de fora de seu Estado e começaram a criar entidades de direção estadual. A União Paulista das Sociedades de Remo (1904), depois sucedida pela Federação Paulista das Sociedades de Remo (1907) foi uma dessas "respostas" à tentativa de controle vinda "de fora". A Federação Brazileira de Sociedades de Remo encontrou resistência inclusive dentro do próprio Rio de Janeiro, onde, em 1903, o Grupo de Regatas da União Náutica (uma dissidência do Club de Regatas São Cristóvão), o Rowing Club (F: 1902) e o Club de Regatas Fluminense (F: 1892) criaram o Conselho Nacional de Remo, por discordarem dos rumos da FBSR. Porém a nova entidade encerrou as atividades após realizar três regatas. A despeito de realmente apenas representar o remo do Rio de Janeiro, a FBSR conseguiu, ainda em 1903, ser reconhecida pela FISA como representante legitima do remo brasileiro (!). AS PRIMEIRAS TENTATIVAS DE CONTROLAR TODOS OS ESPORTES A par da ambição de algumas entidades de controlar o remo, começavam a surgir problemas semelhantes em outros esportes, nos primórdios do século 20. No futebol, eram freqüentes os "rachas" a nível estadual, com alguns clubes formando uma entidade, enquanto os clubes descontentes formavam outra, cada qual realizando o seu campeonato. A disputa pelo controle do futebol, então em franco crescimento, era muito forte entre paulistas e cariocas, agravada pela rivalidade crescente entre os clubes, todos interessados somente em vencer, o que acabou por levar à existência de duas categorias de jogadores: os amadores (membros de famílias abastadas, que jogavam por amor a camisa e não admitiam que alguém fosse remunerado para praticar esporte) e os "amadores marrons", assim chamados os jogadores oriundos da classe pobre, bons de bola mas que para poderem se dedicar ao clube dependiam de uma ajuda financeira para alimentação e transporte, ou que o clube lhes arrumasse um emprego. Sem falar que alguns clubes queriam profissionalizar de vez o futebol, o que simplesmente horrorizava os setores mais elitistas não só do esporte, mas também da população. Em 18 de fevereiro de 1907, seis clubes fundaram no Rio de Janeiro a Liga Metropolitana de Sports Athleticos: Fluminense Football Club, Botafogo Football Club, América Football club, Paissandu Cricket Club, Rio Cricket and Athletic Association e Riachuelo Football Club. Era mais uma dentre as diversas entidades que já haviam sido criadas – e que ainda seriam criadas – para dirigir o futebol carioca. Foi a Liga Metropolitana de Sports Athléticos que convocou uma reunião para 8 de junho de 1914, a ser realizada na sede da Federação Brazileira de Sociedades de Remo, visando a criação de uma entidade que unificasse o esporte brasileiro, especialmente o futebol. Além dos representantes da Liga, participaram da reunião o Aero Club Brasileiro, Automóvel Club Brasileiro, Centro Hípico Brasileiro, Club Gymnastico Portuguêz, Commissão Central de Concursos Hípicos, Jockey Club Brasileiro e Federação Brazileira de Sociedades de Remo, agora uma entidade bem estruturada, com fortes vínculos governamentais e que além do remo já controlava a natação e o pólo aquático no Rio de Janeiro. Nessa reunião histórica, a FBSR foi representada pelo Comandante Raul Oscar de Faria Ramos, Capitão Ariovisto de Almeida Rego, Dr. Antonio de Oliveira Castro e Alberto de Mendonça (4). O REMO E A CRIAÇÃO DA CBD Nessa reunião de 8 de junho de 1914 foram fundados a Federação Brazileira de Sports e o Comitê Olympico Nacional – CON (que seria o precursor do atual Comitê Olímpico Brasileiro). O Capitão Ariovisto de Almeida Rego foi eleito 2º Vice-Presidente do CON. Ariovisto, que já havia sido presidente da Federação Brazileira de Sociedades de Remo em 1910-1911, também ocuparia depois a presidência da CBD em 1920-1921 e durante alguns meses em 1924, além de novamente presidir a FBSR em 1924 e 1930-1931. Sem dúvida, isso mostrava a força do remo dentro das duas novas organizações. A Federação Brazileira de Sports conseguiu imediato reconhecimento internacional de diversos órgãos mundiais, menos da FIFA. Mas não conseguiu unificar coisa alguma, muito menos o futebol, seu grande objetivo, pois a nova entidade era "conservadora", como eram chamados na época os defensores do futebol amador, além de racista (para os "conservadores", o esporte era para brancos e membros da elite social, não para negros e pobres). Isso levou clubes cariocas e paulistas, entre outros, a retaliarem, fundando no ano seguinte a Federação Brazileira de Football, defensora da profissionalização ("progressista"). Originou-se então uma luta intensa entre os dois grupos até que, em 1916, os dois se fundiram para fundar a Confederação Brazileira de Desportos – CBD em sucessão à Federação Brazileira de Sports. Surgiu, assim, mais uma entidade que se auto-proclamava dirigente nacional dos desportos, só que agora respaldada pelo reconhecimento de organismos de direção mundial, exceto a FIFA. Seu estatuto deixava isso bem claro: "Art. 1º - A Confederação Brazileira de Desportos, fundada em 08 de junho de 1914, com a denominação de Federação Brazileira de Sports, é constituída por todas as Federações, Ligas e Clubs, que nos Estados dirigem os respectivos desportos. Paragrapho 1º - Em cada Estado e no Distrito Federal, à proporção do desenvolvimento desportivo, existirão três instituições, uma do desporto terrestre, outra de desporto aquático e a terceira de desportos aéreos, e só estas serão filiadas à Confederação. Paragrapho 2º - À Confederação poderão ser filiadas sociedades desportivas isoladas, desde que no respectivo Estado não exista outra sociedade do mesmo desporto. Art. 2º - A C.B.D. terá as seguintes atrtibuições: 1º - Representar os desportos nacionaes junto aos poderes constituídos. 2º - Representar os desportos nacionaes no estrangeiro. 3º - Promover o desenvolvimento e congraçamento dos desportos. 4º - Servir de tribunal de última instância para derimir as questões que surgirem entre federações ou sociedades desportivas directamente filiadas. 5º - Procurar uniformizar os regulamentos e códigos desportivos. 6º - Fazer convenções, tratados e relações com sociedades desportivas estrangeiras" (5). A CBD acabou sendo reconhecida provisoriamente pela FIFA em 1917 e definitivamente em 1920. Embora sendo uma entidade eclética, administrando além do remo outros esportes em nível nacional, a preocupação principal da CBD e sua mais expressiva fonte de recursos era o futebol. "RACHAS CÉLEBRES" A postura "conservadora", elitista, da CBD, com foco no futebol praticado amadoristicamente, continuava descontentando os "progressistas", impedindo-a de controlar efetivamente esse esporte. Em 1933, clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo decidiram profissionalizar o futebol e se juntaram para re-fundar a Federação Brazileira de Football, aprofundando o "racha". Descontentamento existia também entre outros desportos, que não queriam se submeter à CBD. Entidades estaduais continuavam a ser criadas, inclusive no remo, e permaneciam independentes, já que não havia lei que as obrigasse a filiar-se à CBD. A força real de atração (ou de coação) da CBD residia no seu reconhecimento por entidades de direção internacional, "argumento" esse que deveria ser considerado por qualquer desporto que almejasse competir oficialmente fora do Brasil. Mas isso parecia não ter grande apelo na época, devido às dificuldades para vencer as distâncias intercontinentais (somente por navio) e a falta de recursos dos esportes, exceto para alguns clubes de futebol, sem contar o baixo índice de desenvolvimento técnico de nossos atletas, desestimulando grandes sonhos. Portanto, esse reconhecimento internacional da CBD não era suficiente para que o esporte brasileiro se pacificasse sob seu comando único, nem mesmo em se tratando de Jogos Olímpicos. Por exemplo: para os Jogos de Antuerpia, em 1920, o CON, ainda sem estrutura, atribuiu à CBD a tarefa de preparar os atletas para a competição, o que sinalizava uma harmonia entre os dois órgãos. O mesmo aconteceu em 1924, visando a Olimpíada de Paris, mas como a CBD não recebeu do Governo Federal a quantia de 350 contos de réis que este prometera para a preparação, cancelou a participação da equipe brasileira, abalando suas relações com o CON. Isso gerou a revolta da Federação Paulista de Sports Athleticos, fundada em fevereiro daquele ano, que promoveu uma campanha, apoiada pelo jornal "O Estado de São Paulo", obtendo através de subscrição pública a verba necessária para a inscrição e custeio de seus atletas na capital francesa, bem como a readmissão da delegação brasileira junto ao COI, após gestões particulares levadas a efeito sem a participação da CBD e do CON (6). As relações entre o CON e a CBD começavam a azedar (7). Essa confusa realidade levou a um movimento pela legalização do CON junto ao Comitê Olímpico Internacional, iniciado em 1927 e que culminou com a sua re-fundação, em 20 de maio de 1935, agora com o nome de Comitê Olímpico Brasileiro – COB. A assembléia de fundação do COB foi realizada na sede da Federação Brazileira de Football, e não na da CBD, como seria natural, a qual nem enviou representante para essa reunião, acentuando a divergência entre as duas entidades. Doze dias depois, idêntica iniciativa tomou a CBD, fundando em 1º de junho de 1935 o "seu" Comitê Olímpico Brasileiro, e com apoio do governo brasileiro, a quem era muito ligada. As conseqüências dessa duplicidade de "comitês olímpicos" foram sentidas logo no ano seguinte, nos Jogos de 1936, em Berlim. O Brasil compareceu com duas delegações. Uma era do COB, reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional como representante oficial do Brasil, formada pelas federações especializadas de cada modalidade esportiva e que ficou conhecida como a delegação das "Especializadas" (em contraposição à da entidade eclética, CBD). A outra era da CBD, formada pelas federações a ela filiadas, apoiada pelo governo brasileiro. No caso específico do remo, como o Brasil não poderia participar com duas equipes nem havia acordo entre elas, foi necessária a intervenção direta do governo federal, através de seu embaixador em Berlim, sendo acertados critérios que levaram à composição de uma equipe de remo única (8). Este incidente influenciou o governo de Getulio Vargas nas intervenções que faria no esporte, nos anos seguintes. "PACIFICAÇÃO" À FORÇA A "pacificação" do esporte nacional (o remo inclusive) só foi alcançada através da força da Lei. Em 14 de abril de 1941, o Presidente Getulio Vargas baixou o Decreto-Lei 3.199, estabelecendo que: - as confederações seriam as entidades máximas de direção dos desportos nacionais, podendo ser especializadas ou ecléticas (no caso de administrarem um grupo de desportos); - uma confederação só poderia ser organizada com pelo menos três federações de cada desporto que ela pretendesse dirigir e só funcionaria quando já tivesse obtido a correspondente filiação internacional; enquanto cada federação somente poderia existir se formada por três clubes, pelo menos. O Decreto-Lei 3.199 também considerou constituídas as confederações Brasileira de Desportos (CBD), Basket-Ball, Pugilismo (também eclética, pois incluía o judô e outras formas de luta), Vela e Motor, Esgrima e Xadrez. Pelo decreto, a CBD passava a dirigir o futebol, remo, tênis, atletismo, natação, saltos ornamentais, pólo aquático, vôlei e handebol, podendo ainda abranger outros, devendo o futebol constituir-se no desporto básico da entidade. De três em três anos, o Conselho Nacional de Desportos, órgão criado para orientar, fiscalizar e incentivar a prática dos desportos a nível nacional, por iniciativa própria ou por proposta da confederação ou da maioria das federações interessadas poderia propor ao Ministro da Educação e Saúde (órgão a que estava afeto o esporte brasileiro) a criação ou supressão de alguma confederação, a qual só seria efetivada por decreto do Presidente da República. O Tiro ao Alvo (em 1947), o Vôlei (em 1954) e o Tênis (em 1955) aproveitaram para criar suas confederações. O remo permaneceu dentro da CBD e dela somente se desligou quando o governo federal, em 1977, determinou que cada esporte criasse sua própria entidade nacional. O REMO DENTRO DA CBD Além do futebol (profissional e amador), que possuía departamento próprio, os esportes amadores geridos pela CBD estavam sob a direção de um Departamento de Desportos Aquáticos (remo, natação, saltos ornamentais, pesca e lançamento, caça submarina, pesca oceânica e pólo aquático) e do Departamento de Desportos Terrestres (atletismo, faustebol (punhobol), futebol de salão, ginástica olímpica, halterofilismo, handebol, hóquei sobre patins, malha, tênis de mesa, arco e flecha, beisebol, bocha, bolão, ciclismo e pentatlo moderno). Ao todo, eram 23 esportes controlados pela CBD. O diretor de cada departamento dispunha de um Conselho de Assessores para cada desporto. Esses Conselhos, cujos membros eram de livre escolha do diretor, era na realidade o órgão que administrava o respectivo desporto, embora não sendo executivo. Todas as suas iniciativas dependiam de prévia autorização do diretor do departamento, para serem efetivadas. No remo não era diferente, exceto por um detalhe: o diretor do Departamento de Desportos Aquáticos – que sempre era do remo – participava das reuniões e acompanhava tudo muito de perto. À primeira vista, isso poderia sugerir um tratamento especial para o remo, o que na verdade não acontecia, haja vista o enorme número de modalidades existentes, todas implorando por mais verbas, cuja única fonte era o futebol. Portanto, não adiantava sonhar muito alto, porque a verba que existia dava para garantir não mais que a realização de um campeonato brasileiro e a participação num sul-americano, que aconteciam a cada dois anos. Intercâmbio com o resto do mundo inexistia, levando os dirigentes a se acomodarem numa rotina doméstica, ficando cada vez mais distantes da evolução que acontecia no exterior. O remo vivia estagnado e muitas gerações de bons atletas foram perdidas por falta de intercâmbio. O único sonho maior com alguma possibilidade de realização era tornar-se campeão sul-americano, mas nem isso o remo sabia como conseguir. Como equipe, éramos eternos vice-campeões sul-americanos. No único campeonato que tínhamos vencido (1954), a Argentina não comparecera. Por outro lado, o sonho de muitos, de ter um remo independente da CBD, esbarrava na impossibilidade de financiamento da nova entidade. Como ela sobreviveria? Ruim com a CBD, pior sem ela. A luz no fim do túnel começou a surgir em 1969, quando o governo federal criou a Loteria Esportiva, cujos efeitos financeiros no esporte começaram a ser sentidos a partir de 1971. Finalmente, o remo podia fazer um planejamento anual e leva-lo a cabo, desde que aprovado pelo Conselho Nacional de Desportos, órgão responsável pela liberação das verbas. Desse modo, foram sendo criadas as condições para que os desportos saíssem da tutela da CBD e passassem a andar pelas próprias pernas. FUNDADA A CBR Em 1977, através da Portaria nº 648, de 5 de outubro, o então Ministro da Educação e Cultura, Ney Braga, autorizou a criação de várias confederações, cujos esportes, entre eles o remo, estavam até então subordinados à CBD. Assim, na tarde de 25 de novembro daquele ano, foi realizada uma assembléia especial, na sede da CBD (que funcionava na Rua da Alfândega, 70, no centro do Rio de Janeiro) para fundação da Confederação Brasileira de Remo, a qual contou com a presença dos presidentes e representantes das seguintes federações: Federação Paraense de Desportos: Orisvaldo Nazareth Silva Barbosa. Federação Aquática Norte-Riograndense: Rossini Azevedo. Federação Pernambucana de Remo: Aloysio Queiroz Monteiro Filho, representando o presidente Alexandre C. Salsa. Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro: Américo Puppin. Federação Paulista de Remo: Max Cagnoni. Federação Aquática de Santa Catarina: Jorge Marques Trilha. Federação de Remo do Rio Grande do Sul: Rubens Bayard de Carvalho. Federação Paranaense de Remo: José Luiz Boabaid. Federação dos Clubes de Regatas da Bahia: Ivaney Veloso de Oliveira. Também estiveram presentes ao ato histórico de fundação da CBR os desportistas Carlos Osório de Almeida, Diretor Jurídico da CBD e membro do Comitê Olímpico Brasileiro; Wilson Reeberg e Osmar de Souza, respectivamente Assessor Técnico e Assessor Administrativo do Departamento de Desportos Aquáticos da CBD; Arlindo Donato, vice-presidente da Federação Paulista de Remo; os advogados Athos Pimentel e Samuel Sabat, o primeiro pertencente aos quadros da CBD e o segundo atuante nos meios esportivos, além de Getulio Brasil Nunes, ex-presidente da Federação de Remo do Rio de Janeiro, que atuou como secretário da assembléia. Instalou a assembléia Lon Teixeira de Menezes, ex-campeão brasileiro e sul-americano de remo, que exercia o cargo de Diretor do Departamento de Desportos Aquáticos da CBD desde 1975. Pelo menos desde 1958, a direção desse departamento vinha sendo exercida por pessoas do remo, constituindo-se numa deferência especial a um dos esportes fundadores da entidade, o qual, originalmente, controlava também a natação e o pólo aquático. Foi, então, fundada a Confederação Brasileira de Remo. Como estatuto, foi aprovado o inteiro teor de uma minuta preparada pela CBD para servir de base a todas as confederações que na época estavam sendo formadas, sendo ela aceita sem discussões pelas federações de remo. Tal estatuto atribuía praticamente todo o poder ao presidente da entidade, deixando às federações o papel de meras coadjuvantes, o que continuava a praxis implantada pelo Estado Novo quando da organização do esporte, em 1941, e mantida pela legislação reformada pelo governo militar, em 1975. Em momento algum os presidentes de federações se preocuparam em analisar se o estatuto proposto atendia ao que almejavam para sua nova entidade. É bem possível que sequer imaginassem que poderiam alterá-lo, pois na época o país vivia sob um regime militar em que as coisas eram impostas de cima para baixo, ouvindo-se muito a frase "manda quem pode, obedece quem tem juízo", tal como acontecera em 1941. Como resultado, o único direito importante que o estatuto reconheceu às federações foi o de eleger o presidente. Até a aprovação das contas ficou restrita ao simples exame do parecer de um conselho fiscal. Tal comportamento expressava perfeitamente a docilidade das federações e seu enquadramento à autoridade central da CBD, exercida desde 1941, sem contar que o regime militar também não dava muita margem a questionamentos. Tal quadro político jamais permitiria supor a ocorrência de fatos como os narrados a seguir, durante o processo de eleição do primeiro presidente da CBR. A PRIMEIRA ELEIÇÃO Parecia que a eleição ia transcorrer na maior tranqüilidade. Lon Teixeira de Menezes havia sido indicado pelo Almirante Heleno de Barros Nunes, presidente da CBD, para presidir a nova confederação, mas recusara, alegando não ter interesse em concorrer. Lon era um alto executivo da Companhia Vale do Rio Doce, a maior empresa de extração de minério do mundo, onde ingressara como escriturário e progredira até chegar aos mais altos postos. Além de campeão brasileiro e sul-americano de remo, havia sido Diretor-Secretário da Federação de Remo do Rio de Janeiro e Vice-Presidente de Remo do C.R. do Flamengo. Sob sua gestão fora construída uma ampla e moderna garagem para o clube e adquirida uma flotilha Stampfli, na época a melhor do mundo. E como diretor do Departamento de Desportos Aquáticos da CBD, Lon vinha realizando um extraordinário trabalho de desenvolvimento do remo brasileiro, em níveis nunca visto antes. Além disso, gozava de enorme prestigio dentro da própria CBD, do COB e, especialmente, dentro do Conselho Nacional de Desportos, que à época era responsável pela distribuição das verbas da Loteria Esportiva. Para presidir a CBR Lon havia indicado Nelson Mallemont Rebello Filho, presidente do Conselho de Assessores de Remo da CBD, e o gaúcho Octávio Santos Rocha, para vice-presidente. "Nelsinho", como era conhecido, era filho de Nelson Mallemont Rebello, nome histórico dentro do C.R. Guanabara, do Rio de Janeiro, mas, para muitas pessoas, sua folha de serviços ao remo não se comparava à de Lon. Para estas, Nelsinho era tido muito mais como um habilidoso político do esporte do que o administrador que essa nova etapa do remo brasileiro estava a exigir. Mas desde o início do movimento pela criação da nova confederação, Nelsinho não disfarçava seu interesse em ser o primeiro presidente. Afinal, ele era a segunda maior autoridade do remo brasileiro, somente abaixo de Lon Menezes, e como este não queria ser presidente, nada mais natural que fosse ele o candidato. A indiscutível liderança que Lon exercia sobre as federações estaduais fez com que seus presidentes aparentemente aceitassem a indicação de Nelsinho. Só aparentemente, porque no Nordeste já havia começado um movimento contra Nelsinho e pró-Lon, que só viria a público no dia da eleição, quando nada mais poderia ser feito para reverte-lo. Aloísio Queiroz Monteiro Filho, Vice-Presidente de Esportes do Sport Clube do Recife e homem forte do remo pernambucano, tinha contatado os presidentes das federações da Bahia, Pará e Rio Grande do Norte e organizado a reação. Os quatro combinaram que viajariam para a assembléia da CBR no mesmo avião, aproveitando o vôo para confabular. Assim, Orisvaldo Nazareth Silva Barbosa, presidente da Federação Paraense de Desportos, embarcou em Belém num vôo que fez escalas em Natal, Recife e Salvador. Quando o avião aterrisou no Rio, o pacto entre eles estava selado. Na noite de 24 de novembro de 1977, véspera da fundação da CBR e eleição de seu primeiro presidente, Lon, Nelsinho, todos os presidentes de federações, Getulio Brasil Nunes, "General" e o autor deste trabalho reuniram-se, a convite de Lon, para um jantar na Churrascaria Estrela do Sul, que funcionava na sede esportiva do Botafogo F. R., existente no local hoje ocupado pelo Centro Empresarial Mourisco, junto ao túnel do Pasmado, no Rio. Até ali, os presidentes aparentavam estar apoiando Nelsinho. Findo o jantar, ao despedir-se dos presentes, Nelsinho foi saudado por todos eles com um "até amanhã, presidente!". Parecia que tudo corria sem alterações. Cada um tomou o rumo de suas casas, exceto os presidentes de federações de fora do Rio, que estavam hospedados no Hotel Plaza Copacabana, situado na Av. Princesa Isabel. "General" seguiu com alguns deles, pois morava próximo do hotel. Aloísio e Ivaney Veloso de Oliveira, da Bahia, estrategicamente pediram uma carona a Américo Puppin, presidente carioca, cujo voto seria importantíssimo para influir na escolha dos demais eleitores. Após colocarem Puppin a par do que o Norte-Nordeste havia decidido, Puppin fechou acordo com eles. Depois, já no hotel, procuraram o paulista Max Cagnoni, que consideravam pessoa de atitudes firmes e coerentes, obtendo também seu apoio. Estava selada a destituição de Nelson Mallemont do cargo para o qual ainda nem tinha sido eleito. Na manhã do dia seguinte, ficamos sabendo por "General" que as coisas não estavam correndo como Lon planejara e Nelsinho imaginava. Getulio Brasil Nunes fora incumbido de comunicar a Lon que as federações queriam ele e não Nelsinho; que o presidente teria que ser Lon, ou não seria mais ninguém. Lon não teve saída. Capitulou, mas com uma condição: "Serei candidato só se for para ser eleito por unanimidade". Após o almoço, mas antes da hora marcada para a assembléia, os eleitores começaram a chegar na sede da CBD. O clima estava tenso. Logo depois chegou Nelson Mallemont. Trajava um novo e impecável terno azul marinho, que mandara fazer especialmente para sua posse, sem imaginar o que estava ocorrendo nos bastidores. Logo que informado das novidades, obviamente não gostou nem um pouco. O último a chegar foi Lon Menezes, completamente passado. Era visível seu mal-estar com a situação em que o haviam colocado. Mal chegou, reuniu-se a portas fechadas com Nelsinho, e para que este não ficasse mal, propôs-lhe uma composição: que ficasse como seu vice-presidente. Mas Nelsinho não aceitou, preferindo manter sua candidatura, mesmo que fosse para ser derrotado. Nesse meio tempo, passaram pela assembléia o Brigadeiro Jeronymo Baptista Bastos, presidente do Conselho Nacional de Desportos, órgão máximo do esporte brasileiro, e Rubem Moreira, presidente da Federação Pernambucana de Futebol, o mais importante dirigente esportivo do Norte-Nordeste. Informados do que estava acontecendo, ambos ainda tentaram convencer os dirigentes a mudarem os rumos da eleição em favor de Nelsinho, mas sem sucesso. "Quero ver o Lon conseguir alguma coisa sem o apoio do Jeronymo Bastos", explodiu Rubem Moreira. Ao que Ivaney Veloso de Oliveira retrucou: "Podemos conseguir! É só remarmos em quaisquer condições em que estiver a maré". O resultado da eleição foi nove votos a zero para Lon Menezes e Henrique Licht como vice-presidente, este também um nome respeitadíssimo no remo gaúcho e brasileiro. A CBR iniciava sua existência de forma sui generis: vendo um candidato único ser derrotado por unanimidade(9). Lon Teixeira de Menezes e Henrique Licht foram eleitos para um mandato provisório de um ano de duração, ficando com a incumbência de adotar os procedimentos legais para a regularização da nova entidade, inclusive o registro do estatuto, num prazo de 30 dias. Nos três meses que se seguiram à fundação da CBR, filiaram-se a ela a Federação Desportiva Espiritosantense e a recém-criada Federação de Remo de Brasília, as quais também foram consideradas fundadoras. Organizada e posta em funcionamento a entidade, foi realizada uma nova assembléia geral em 12 de fevereiro de 1979, para eleição de uma diretoria definitiva. Lon foi reconduzido ao cargo, agora para um mandato efetivo de três anos. Sergio Ribeiro Lins de Alvarenga, ex-remador do C.R. do Flamengo, foi eleito 1º Vice-Presidente e Ivaney Veloso de Oliveira, 2º Vice-Presidente. Nos seus primeiros meses de existência, a CBR funcionou provisoriamente dentro da CBD, esperando que se concretizasse uma intenção do governo federal de destinar um prédio público para abrigar a sede de todas as confederações, o que acabou não acontecendo. Também discutiu-se com a CBD a possibilidade de destinar uma verba para a CBR adquirir sua sede, argumentando-se que sendo o remo um dos esportes fundadores, tinha direito a uma parte do patrimônio da CBD, devendo receber uma compensação por isso. Porém essa tese não prosperou. A CBD destinou CR$ 500.000,00 (quinhentos mil cruzeiros) para a CBR, suficientes apenas para comprar móveis e instalar a nova entidade. Lon, então, instalou a CBR num amplo salão alugado da Fundação Vale do Rio Doce, situado na Av. Almirante Barroso, 90 – sobreloja, no centro do Rio de Janeiro, entidade da qual ele era o Diretor-Superintendente. Ali a CBR começou a viver a sua história. O QUE FOI FEITO DOS FUNDADORES? Lon Teixeira de Menezes Dirigiu o remo brasileiro de 1975 a 1981, realizando uma gestão brilhante. Em 1976, graças ao trabalho integrado entre a CBD, Governo do Rio de Janeiro e Conselho Nacional de Desportos, conseguiu que fosse reformado o Estádio de Remo (RJ), incluído o término da segunda arquibancada e a construção dos atuais boxes, que serviram de cenário para a primeira vitória do Brasil em campeonatos sul-americanos e na Copa Latina, realizados naquele ano. Ao deixar a CBR, em 1981, havia distribuído 112 barcos aos clubes brasileiros, verbas para 25 tanques de remo, sem contar lanchas, motores e peças de reposição. Com ele, o Brasil passou a dominar o remo sul-americano. O nível técnico deu um grande salto. Nossas guarnições, sempre eliminadas em Campeonatos Mundiais e Olimpíadas, passaram a classificar-se habitualmente em Finais B, obtendo inclusive o 5º lugar no Mundial de Juniores de 1979. Foram realizados cursos para formação de treinadores, ministrados por grandes técnicos internacionais e professores de Universidades brasileiras, criada a Revista REMO e publicado farto material técnico, ainda hoje considerado de alto nível. Faleceu em 28/7/2002, às vésperas de completar 77 anos. Henrique Licht Continua um ativo colaborador do remo e do desporto gaúcho em geral. Autor dos livros O REMO ATRAVÉS DOS TEMPOS (a mais completa fonte de consulta do remo brasileiro) e CICLISMO NO RIO GRANDE DO SUL: 1869-1905. Em 1988 criou um parque educativo ecológico na Ilha do Pavão, sede náutica do Grêmio Náutico União, em Porto Alegre. Posteriormente batizado de Parque Educativo Ecológico Henrique Licht, é atualmente local de visitação e pesquisas para escolares, universitários e instituições interessadas em ecologia. Reuniu uma coleção formidável sobre esportes, composta de livros, medalhas, jornais, fotos, programas de competições, distintivos, etc. e com ela organizou várias exposições no Rio Grande do Sul e no Brasil. Em 2002, doou a coleção ao Centro de Memória do Esporte da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É referencia bibliográfica de vários autores que têm abordado o tema do esporte e do lazer no Brasil. Atualmente com 85 anos, reside em Porto Alegre. Nelson Mallemont Rebello Filho Alguns meses após sua derrota na eleição da CBR, o Presidente da República, General João Baptista de Figueiredo, designou-o Vice-Presidente do Conselho Nacional de Desportos. Figueiredo queria nomeá-lo Presidente do CND, mas não pôde faze-lo porque Nelson, sendo funcionário da Caixa Econômica Federal, estava impedido de acumular cargos. Para a presidência do órgão foi nomeado o General Cesar Montagna de Souza. Apesar de profundamente magoado com Lon Menezes, a quem atribuiu as manobras que levaram à sua derrota, sempre portou-se com cavalheirismo, nunca usando do seu alto cargo para qualquer forma de retaliação. Faleceu em 1º/3/1981, aos 50 anos, na vigência de seu mandato no CND. Aloysio Queiroz Monteiro Filho Um dos dirigentes mais atuantes da história do remo pernambucano. Aos 70 anos, em plena forma física, exerce o cargo de Vice-Presidente de Esportes Amadores do Sport Club de Recife, cargo esse que já ocupou inúmeras vezes, no clube ao qual sempre se dedicou. Foi também Vice-Presidente Técnico da Federação Pernambucana de Remo. É empresário dos ramos da cerâmica e pecuária. Atualmente com 70 anos, reside em sua fazenda, próxima a Recife. Ivaney Veloso de Oliveira Em 1982, Ivaney foi eleito 1º Vice-Presidente da CBR, tendo Renato Marcelo Borges da Fonseca como presidente. Quando da reeleição deste, em 1985, Ivaney também foi reconduzido para o mesmo cargo. Em 1988 disputou a presidência da CBR, contra José Manoel Gomes, mas apesar de ser o candidato da situação, ficou patente no dia da eleição que não conseguiria se eleger. Manobras políticas de última hora, realizadas no recinto da eleição, acabaram por eleger Arlindo Donato, presidente da Federação Paulista de Remo, que nem candidato era. Após esse tumultuado episódio que o desgostou profundamente, Ivaney afastou-se definitivamente do esporte. Faleceu em 10/9/2005, aos 73 anos. Sergio Ribeiro Lins de Alvarenga Após deixar a vice-presidência da CBR, foi por muitos anos membro do Conselho Fiscal do Comitê Olímpico Brasileiro. É diretor-financeiro da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e Comodoro do Clube dos Marimbas, no Rio de Janeiro. Atualmente com 66 anos, reside no Rio de Janeiro. Orisvaldo Nazareth Silva Barbosa Ex-atleta de tiro ao alvo e remador, continuou presidindo a Federação Paraense de Desportos (eclética) até 1986. Eleito 2º Vice-Presidente da CBR, em 1985. Foi membro do Conselho Regional de Desportos do Pará por três mandatos e diretor administrativo da Associação de Desportos Recreativa Bancrevia. É árbitro da CBR, atuando regularmente na direção das regatas paraenses. Atualmente com 60 anos, reside em Belém. Américo Puppin Findo seu mandato de presidente da Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro, assumiu o cargo de presidente do Conselho Fiscal da CBR. Posteriormente, afastou-se do esporte. Entre posições de destaque que ocupou na vida profissional, foi Superintendente de Recursos Humanos da Companhia Vale do Rio Doce, Diretor do Banco da Bahia Investimentos e Presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Atualmente com 67 anos, reside no Rio de Janeiro. José Luiz Boabaid Foi o responsável pelo ressurgimento do remo no Paraná, inicialmente em Paranaguá, onde fundou o C. R. Silfredo Veiga e recuperou o Clube de Natação e Regatas Comandante Santa Rita, que estava fechado havia décadas e em completo abandono (o teto da garagem havia desabado e em seu interior cresciam árvores). Foi fundador e primeiro presidente da Federação Paranaense de Remo. Durante sua gestão foram abertos os primeiros 1.800 metros da raia de Curitiba, graças às fortes ligações de seu irmão Kalil com o Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba – IPUC, na gestão do Prefeito Saul Raiz. Com a ajuda dos irmãos Kalil e Osman, e do primo Luiz Alberto Veiga, residentes em Curitiba, implantaram o remo no Clube Curitibano (posteriormente Kalil fundou o C.R. Y-Guaçu e a URVEC – União dos Remadores Veteranos de Curitiba, e Osman teve forte participação nas gestões para construção da garagem, na raia). Foi membro do Conselho de Autoridade Portuária dos Portos de Paranaguá e Antonina, membro do Conselho Fiscal do SEBRAE/PR, Presidente da Associação Comercial de Paranaguá e vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Paraná. Hoje aposentado e praticante de basquetebol, é diretor-secretário da Associação Paranaense de Basquetebol Máster. Atualmente com 67 anos, reside em Curitiba. Max Cagnoni Foi muitas vezes presidente da Federação Paulista de Remo, alternando com Arlindo Donato o exercício do cargo. Um sendo sempre o vice-presidente do outro. Foi funcionário de carreira do Banco Sudameris, do qual era gerente. Após aposentar-se, recusou ofertas vantajosas de novos empregos para poder dedicar-se exclusivamente ao C.R. Tietê, do qual fora remador e pelo qual conquistara títulos paulistas e sagrara-se campeão brasileiro no "oito", em 1948. Era o responsável pelo acervo cultural de seu clube. Foi com enorme pesar que viu o C.R. Tietê desativar o departamento de remo. Em um dos seus últimos contatos com a imprensa paulista, recordou com saudade o tempo em que se remava e nadava no rio Tietê e externou sua amargura com o estado atual do rio, poluído e sem vida. Faleceu em 22/3/2006, aos 81 anos. Rossini Azevedo Ex-remador do Centro Náutico Potengi e goleiro do América F.C. de Natal, exerceu diversos cargos dirigentes em organizações esportivas, comunitárias, filantrópicas e classistas de seu Estado. Além de presidente da Federação Aquática do Rio Grande do Norte, presidiu também a Federação de Futebol de Salão potiguar. Fundador do Lions Clube e de uma Loja Maçônica, em Natal. Empresário do ramo cafeeiro, foi tesoureiro da Federação das Indústrias de seu Estado. Faleceu em 18/3/1999, aos 79 anos. Rubens Bayard de Carvalho Foi presidente da Federação de Remo do Rio Grande do Sul de 1976 a 1981. Iniciou no remo em 1948, defendendo o Grêmio Náutico Gaúcho, de Porto Alegre (já extinto), do qual por duas vezes foi presidente e também vice-presidente. Durante 30 anos, foi conselheiro do Grêmio Náutico União, no qual ingressou em 1960, exercendo os cargos de Vice-Presidente de Esportes (6 vezes), Diretor de Remo e Diretor de Vela e Motonáutica (2 vezes). Como remador máster, teve grandes participações em regatas nacionais e internacionais, orgulhando-se de integrar o oito dos Estados Unidos, vencedor da Regata FISA de Masters, realizada na Austrália, em 1997. Faleceu em 16/3/2007, aos 87 anos. Jorge Marques Trilha Várias vezes presidente do Clube Náutico Riachuelo, de Florianópolis, e da Federação Aquática de Santa Catarina. Em sua gestão foram construídas as atuais garagens dos clubes de remo de Florianópolis, que há muitos anos vinham funcionando de modo precário em velhos barracões, após terem sido desalojados de suas sedes devido ao aterro feito diante delas, para a construção de ampla avenida. Foi chefe da delegação brasileira no Campeonato Sul-Americano de Remo Junior, em 1979, no Uruguai. Governador do Rotary Clube de Florianópolis e atual membro de seu Colégio de Governadores. Agraciado em 1994 com o prêmio "Manézinho da Ilha", concedido aos cidadãos ilustres de Florianópolis. Empresário do ramo de transporte de cargas, foi diretor da Confederação Nacional do Transporte. Atualmente com 81 anos, reside em Florianópolis. Getulio Brasil Nunes Foi membro do Conselho Fiscal da CBR, de 1978 a 1981. Depois, afastou-se do esporte. Retornou em 2001, como Vice-Presidente de Remo do C.R. do Flamengo, cargo que exerceu de forma polêmica por poucos meses. É presidente do Conselho de Administração da Federação das Fundações Privadas do Estado do Rio de Janeiro e executivo da Fundação Ataulpho de Paiva. Atualmente com 66 anos, reside no Rio de Janeiro. "General" Osmar de Souza Continuou dedicando-se integralmente ao remo e prestando valiosos serviços à CBR sob todas as suas presidências, enquanto a saúde permitiu. Mas mesmo idoso e enfraquecido, continuava comparecendo às regatas e torcendo por melhores dias para o remo brasileiro. Faleceu em 12/11/1998, aos 74 anos. Arlindo Donato Misto de funcionário, técnico e diretor do Clube Espéria, de São Paulo, durante muitos anos. Formou e influenciou centenas de remadores, inclusive Amyr Klink, o grande navegador. Revezou-se com Max Cagnoni na presidência da Federação Paulista de Remo em diversos mandatos. Em 1988, foi eleito presidente da CBR, numa eleição tumultuada em que nem candidato era. Por ter sido eleito de uma forma atípica, fruto de manobras de última hora realizadas no próprio recinto da eleição por dirigentes situacionistas que não queriam perder o controle da CBR, nunca teve o apoio de fortes federações de oposição. Sua gestão à frente da CBR foi muito difícil, polêmica e marcada por crises. Atualmente com 76 anos, vive em São Paulo, capital. Major-Brigadeiro-do-Ar Jeronymo Baptista Bastos Além de presidente do Conselho Nacional de Desportos, foi também vice-presidente do Comitê Olimpico Brasileiro. Em 13/7/1994, sete anos após sua morte, o Congresso Nacional decretou a Lei 8.916, proclamando- Patrono do Desporto na Aeronáutica. Faleceu em 23/6/1987, aos 84 anos. Rubem Moreira Foi por 27 anos presidente da Federação Pernambucana de Futebol (1955 a 1982). Dono de enorme prestigio na política e no esporte, era conhecido como o "Vice-Rei do Nordeste". Embora sendo dirigente do futebol, foi um grande incentivador do esporte amador pernambucano, dentre eles o remo, ao qual prestou inestimáveis serviços. Ao seu funeral compareceram milhares de pessoas, dentre elas o Governador do Estado, os Prefeitos de Recife e de cidades vizinhas, secretários de governo estaduais e municipais, deputados, vereadores, empresários e desportistas, além do público em geral, atestando o grande prestígio do dirigente desaparecido. Uma escola estadual em Jaboatão dos Guararapes, municipio da Grande Recife, leva seu nome, assim como o edificio-sede da Federação Pernambucana de Futebol por ele construído e que também abriga as sedes de grande número de federações desportivas amadoras. Faleceu em 2/4/1984, aos 75 anos. REFERÊNCIAS 1. Alberto de Mendonça – História do Sport Náutico do Brazil. Federação Brazileira de Sociedades de Remo, Rio de Janeiro, 1909. 2. Código da União de Regatas Fluminense. Typografia Leuzinger, Rio de Janeiro, 1897. 3. Victor Andrade de Melo – Cidadesportiva. Editora Relume Dumará, Rio de Janeiro, 2001. 4. Kátia Rubio – Da Europa para a América: a trajetória do Movimento Olímpico brasileiro. Geo Critica/Scripta Nova. Revista electronica de geografia y ciências sociales, vol. IX, nº 200. Universidad de Barcelona. 5. Idem. 6. Também participaram desses Jogos os remadores Carlos e Edmundo Castelo Branco, sem nenhuma vinculação com o restante da delegação, tendo-se classificado em 4º lugar no double-skiff, entre quatro concorrentes. 7. O Brasil também não participou da Olimpíada de 1928, em Amsterdan, por falta de verba. Mario Filho, em O Negro no Futebol Brasileiro, narra os acontecimentos que levaram ao corte da subvenção governamental: "Washington Luís, Presidente da República, pensando que mandava num campo de futebol. Estava lá em cima, na tribuna de honra, de casaca e cartola, os jogadores cariocas e paulistas cá em baixo, no campo, atrás de uma bola. Belo espetáculo, digno de ser visto. O estádio do Vasco, o maior da América do Sul, cheio, arrebentando de gente, não chegando para um match de futebol Rio – São Paulo. Washington Luís encantado, nunca tinha recebido tantas palmas na vida dele. Cinqüenta mil pessoas, comprimidas nas arquibancadas, nas gerais, de pé, batendo palmas para o Presidente da República. Era gostoso receber uma ovação daquela, nada preparado, tudo espontâneo. Washington Luís descobria, ao mesmo tempo, a força e a beleza do esporte. Subitamente o jogo pára, não continua, o juiz tinha marcado um pênalti contra os paulistas, os paulistas iam abandonar o campo. Washington Luís fica sério, dá uma ordem a um oficial de gabinete. É a ordem para o jogo continuar, uma ordem do Presidente da República. E lá desce o oficial de gabinete, a noticia se espalha, Washington Luis tinha mandado acabar com aquilo, o jogo ia recomeçar. O oficial de gabinete entra em campo debaixo de palmas, vai até Amílcar e Feitiço. E de cara amarrada dá o recado: o Presidente da República ordenava o reinício do jogo. A resposta de Feitiço, mulato disfarçado, que nem era capitão do escrete paulista, foi que o doutor Washington Luís mandava lá em cima – lá em cima sendo a tribuna de honra - cám cima sendo a tribuna de honra - cutor, que nem era capit atn Luis tinha mandado acabar com aquilo, o jogo em baixo - cá em baixo sendo o campo - quem mandava era ele.E para mostrar quem mandava mesmo, que não era conversa, fez um sinal, os jogadores paulistas sairam atrás deles. Washington Luís, Presidente da Republica, não teve outro remédio, senão ir embora, ofendidíssimo. E ficou por isso mesmo, nada acontecendo a Feitiço, pelo contrário. É verdade que a CBD quiz fazer alguma coisa. Tudo o que a CBD fez, porém, só serviu para mostrar, a nu, a tremenda força de um jogador de futebol. Antes de Washington Luis chegar lá embaixo, todos os jogadores do escrete paulista, de Tuffy, o quíper, a Evangelista, o extrema-esquerda, estavam suspensos, ameaçados de eliminação. Uma hora depois não eram mais todos, eram somente oito. Um dia depois, cinco, um mês depois, nenhum. (...) Por causa disso o Brasil não foi às Olimpíadas de 28. Washington Luis negou a subvenção à CBD". 8. Henrique Licht, no seu livro O Remo Através dos Tempos, transcreve a ata dessa insólita reunião: Acta da reunião realizada nesta Embaixada, a 6 de agosto de 1936, sob orientação do primeiro secretário Sr. Heitor Lyra, como representante autorizado de Sua Excelencia o senhor Embaixador do Brasil.1 - Reunidos nesta embaixada os senhores: Dr. Ferreira dos Santos, chefe da delegação do COB (Especializadas); Gerd Stoltemberg, chefe da Secção de Remo do COB (Especializadas); Huberto Sachs, chefe da Secção de Remo da CBD; e os Drs. Heriberto Paiva e João Augusto Penido, como testemunhas. 2 - Attendendo ao facto de que o prazo para as inscrições finaes nas quatro provas de remo das actuaes Olympiadas, será encerrado impreterivelmente amanhã, à tarde (prazo, aliás, que já foi prorrogado por uma concessão especial ao Brasil), foram todos accordes que se tornava necessario chegar-se a uma solução definitiva quanto à participação nellas da Delegação Desportiva de Remo. 3 - Ficou desde logo assentado, de commum accordo, que não tendo o COB (Especializadas) trazido a guarnição de "dois com patrão" e de "double-skiff", seriam as guarnições respectivas da CBD, escaladas para disputar essas duas provas do Campeonato Olympico. 4 - Discutiu-se em seguida o critério da escolha para a participação nas 4 outras provas: 2 sem patrão, 4 com patrão, skiff, guarnição de 8. 5 - Quanto à prova de "dois sem patrão", ficou assentado que pelo facto de ser a guarnição do COB (Especializadas) presentemente em Berlim, campeã brasileira nessa especialidade, seria ella cedida para concorrer à respectiva prova olympica. 6 - Quanto às provas "quatro com patrão" e "skiff", ficou assentado que se procederia preliminarmente a uma dupla eliminatória, para cada prova, cabendo às guarnições vencedoras tomarem parte no Campeonato Olympico. A eliminatória de 4 com patrão se realizará amanhã, 7 do corrente, às 10 horas. Quanto à eliminatória para a prova de skiff, desde que, por excepção, se permite a inscrição de dois remadores, poderia ser feita no dia 9 do corrente, o que ficou desde logo assentado. 7 - Passou-se, em seguida, a decidir o critério de participação na "prova de oito". Ambas as partes pleiteavam a inscripção de suas respectivas guarnições. O COB (Especializadas) propunha, para decidir-se, afinal, uma eliminatória, que teria necessariamente de realizar-se o mais tardar amanhã pela manhã; a CBD recusava-se a essa prova, não tanto pela prova em si, mas pela data precipitada em que ella teria de fazer-se, attendendo a que sua guarnição estivera até então numa quase completa immobilidade, sem barco adequado, sem treinos regulares, com a moral abatida pelas condições desiguaes em que se encontrara até a data do accordo de 1º de agosto. 8 - As partes, resolveram ellas, de commum acordo, entregar o caso à deliberação final do embaixador do Brasil (Moniz de Aragão), na conformidade da carta assignada a 1º de agosto corrente. 9 - Deante do senhor Heitor Lyra: 10 - Attendendo a que são patentes as razões de ordem moral e de ordem desportiva allegadas pela CBD, para não obrigar sua guarnição a uma prova eliminatória, que teria de realizar-se impreterivelmente amanhã pela manhã; 11 - Attendendo a que na falta dessa eliminatória não há outro critério justo, por onde se possa apurar as condições actuaes de preparo das duas guarnições, senão a do julgamento dos títulos de ambas; 12 - Attendendo a que a guarnição da CBD (com excepção de um único de seus remadores) possue o titulo de campeã sul-americana na sua especialidade; 13 - RESOLVE que essa guarnição será designada para disputar a prova olympica de oito. 14 - Depois de lida vae esta acta assignada por todos os presentes. Berlim, 6 de agosto de 1936. Ass. Heitor Lyra, Ferreira dos Santos, J.A. de Souza Ribeiro, Gerd Stoltemberg, Huberto Sachs, Heriberto Paiva e J.A. Pennido. 9. Jornal O GLOBO: Lon não era candidato mas foi eleito presidente do remo. Edição de 26/11/1977. Escrito em julho de 2007

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